Franca ‘joga’ R$ 200 mil no lixo com falta de educação


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Todos os meses, a Prefeitura gasta cerca de R$ 200 mil para acabar com a sujeira gerada pela falta de educação da população. O gasto representa 20% de tudo que o poder público investe na limpeza da cidade (R$ 1 milhão por mês). “Se houvesse maior cultura e educação ambiental das pessoas poderíamos reduzir estes custos”, afirma o secretário municipal de Finanças, Sebastião Manoel Ananias. A economia seria atingida pela redução de equipes e materiais usados para limpar ruas, áreas públicas e terrenos baldios. Uma equipe formada por 105 varredores é a responsável por limpar as ruas e avenidas de Franca. Cada um varre entre três e quatro quilômetros de chão todos os dias. Enchem carrinhos e mais carrinhos de tocos de cigarros, papéis de propaganda, embalagens, latas de cerveja e lixo natural, como poeira, folhas e galhos. A sujeira jogada nas vias custa R$ 2 milhões por ano aos cofres públicos. Mesmo com a lixeira por perto, parece ser mais prático jogar o lixo na rua. Cada varredor enche todos dias, em média, 25 sacos de 100 litros de sujeira. “A gente encontra de tudo, mas os maiores vilões são os panfletos de propaganda e as sacolas plásticas. Se o pessoal colaborasse seria mais fácil para todos”, comenta Antônio Carlos da Rocha, o “Pernambuco”, responsável pelos varredores. Nos seus cálculos, mais da metade do que é varrido nas ruas poderia estar nas lixeiras. A ação de catadores de materiais recicláveis também dificulta o trabalho dos varredores. “Este pessoal rasga as sacolas, retira o que é de interesse para eles e deixa o resto para trás. Isto gera um transtorno violento. O varredor, coitado, às vezes, já passou por lá antes e acaba ficando com a culpa”. Acostumado a conviver de perto com a sujeira jogada nas ruas, Pernambuco conta que também é comum caminhões derrubarem terra, pedras e areia nas vias públicas. “Isto dá muito trabalho para limpar. Sempre estamos fazendo raspagem nas ruas. A quantidade recolhida é grande. O varredor sofre muito”. Apesar de todo o empenho dos varredores, parte dos resíduos jogados na rua acaba indo para os bueiros. “Isso implica em novos gastos para o desentupimento”, conta o secretário de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares. Todos os meses, as equipes da secretaria limpam uma média de cem unidades de bocas-de-lobo. Só este serviço custa R$ 65 mil. Também é feita a limpeza e manutenção de 14 quilômetros de canais, o que consome mais R$ 50 mil. Este gasto poderia simplesmente ser eliminado se as pessoas deixassem de jogar lixo nas ruas. “Além da questão financeira, esta falta de consciência de parte da população também aumenta o risco de ocorrer enchentes na cidade, pois a água não tem para onde escoar”, lamenta Tavares.

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