Ela cantou, dançou e convidou os vizinhos para conferir a tragédia. Mas não era uma tragédia grega, uma representação teatral, forma dramática artística. Era, sim, a vida real apresentando mais um ato verídico de derramamento de sangue. O episódio em si parecia ter extrapolado qualquer grau de bizarrice, mas tinha mais por vir.
Lídia Barbosa da Silva, 37, presa em flagrante acusada de matar o marido, o lavrador Antônio Rodrigues da Silva, 50, deu sequência ontem a seu comportamento excêntrico em plena cadeia feminina de Batatais. Para surpresa de todos os policiais, no local ela defecou e espalhou as fezes por onde alcançou.
O bárbaro crime que ela protagonizou ocorreu na manhã de domingo, na vila rural Jardim Primavera, conhecida como "Chora Nenê", em Pedregulho. Sem o olho direito e com pelo menos 15 perfurações, o cadáver ensanguentado de Antônio testemunhou o suposto desvario da mulher. Aos vizinhos, a mulher contou que teria devorado parte do coração do lavrador, fato sem confirmação oficial.
Presa pela Polícia Militar de Pedregulho, Lídia foi levada para a cadeia de Batatais no mesmo dia. Diante de seu comportamento incomum, não foi abrigada junto com qualquer outra das mais de 100 detentas presas na unidade. Horas depois, sozinha e apresentando descontrole, defecou em quantidade significante e "disparou" suas próprias fezes em direção às paredes. Desde o domingo, ela come, bebe, descansa e delira só em uma pequena cela localizada nos fundos do prédio.
Após ser atendida por um médico na segunda-feira, a acusada foi medicada e até o fim da tarde de ontem se manteve calma, segundo funcionários da cadeia que descreveram o seu comportamento, mas não estão autorizados a falar "oficialmente". Apenas as conversas sem nexo permanecem, segundo um dos funcionários, que tem como certa a sua transferência para o manicômio judiciário de Franco da Rocha.
O delegado responsável pela cadeia de Batatais este mês (os delegados fazem um rodízio mensal na direção), José Arnaldo Andreotti Júnior, não foi encontrado para confirmar as informações. Na cadeia, na Delegacia do Município e no 1º Distrito Policial, durante todo o dia, a informação era que ele ainda não havia chegado ou havia acabado de sair. Enquanto isso, Lídia segue à espera de seu destino.
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