"Então, vamos embora?", afirma o Gestor de Relações Corporativas do GCN, Luiz Neto, ao convidar Juca Chaves para entrar na sede do grupo. "Então, vamos!", responde o artista se dirigindo à porta de saída e arrancando gargalhadas de todos à sua volta. Sempre irreverente, o menestrel do Brasil - que está em Franca desde a tarde de terça-feira - apresenta hoje, "pontualmente" às 20h30, no Teatro Municipal, o espetáculo "O Rei Está Nú", em comemoração aos 50 anos de carreira. Os convites (R$ 40 inteira e R$ 20 para estudantes) estão sendo vendidos no próprio Teatro (informações: 3723-9531).
Conhecido por satirizar os momentos políticos e econômicos do País, durante uma hora, Juca Chaves, 70 anos, que mora há 26 na Bahia, falou sobre o governo Lula, o São Paulo Futebol Clube (seu time de coração), a imprensa, a televisão, a música, criticou a educação, além de recordar suas famosas modinhas e serestas, que ele apresenta acompanhado pelo seu violão ou alaúde.
Infelizmente, é impossível publicar na íntegra a deliciosa conversa com este artista, que não segue um raciocínio linear, mas segue abaixo alguns trechos.
<b>Comércio da Franca</b> - Você trabalhou com o jornalista Corrêa Neves no jornal Última Hora. Qual a lembrança que tem dele?
<b>Juca</b> - Trabalhei, mas quando eu era garoto. Fiquei um ano e meio fazendo jornal e um dia percebi que eu ganhava tão pouco e fui fazer o Exército para ganhar mais. Quando cheguei aqui, ele foi muito simpático, me ofereceu tudo gratuitamente, ele era um cara muito ligado à arte. Eu admiro muito isso porque hoje poucas companhias jornalísticas tão ligadas à arte. A imprensa paulista, principalmente a paulistana, não é dessas coisas. São Paulo tem três jornais só. É muito pouco para uma cidade de 25 milhões (de habitantes). Em todos eles, as notícias que têm de ir atrás, não acho legal. Eu me lembro que o antigo diretor daqui (Corrêa Neves) falava: "Eu tenho orgulho de dizer que o nosso jornal sai antes de todos", porque ele já tinha as notícias antes de todos, às 4 horas da manhã. Mas o brasileiro não lê, ele vê o jornal. Também não sabe ler as legendas dos filmes, vejo pela garotada que vai lá em casa, amigos das minhas filhas (ele tem duas filhas adotivas, de 8 e 10 anos). Eu com 8 anos já lia rapidamente, hoje o garoto não sabe ler, nem escrever, falar então, nem se discute.
<b>CdF</b> - Como você começou a cantar as suas primeiras modinhas?
<b>Juca</b> - Foi numa roda com Lamartine Barros, Lúcio Rangel, Jobim, Vinícius, num bar chamado Zé Pilim. Nada de garota de ipanema, isso é folclore. Já puseram um bar com o nome de Itapuã e disseram que eu todas as tardes, fico em Itapuã, ao som do violão cheio de mulher do lado. Se fosse verdade, a Iara (mulher dele), já cortava mais ainda o meu "pintinho", que já foi circuncisado. O povo imagina um compositor com a mão no queixo olhando pro mar. As melhores músicas que fiz foi no banheiro, risos.
<b>CdF</b> - Por que você deixou o jornalismo?
<b>Juca</b> - Na época deixei uma coisa mais importante ainda: eu tinha estudado para ser regente, tava tudo pronto para isso. Acontece que fui cantar num programa, de brincadeira, eu tocava o violão - que era uma craviola - porque eu sempre quis ser diferente, para chamar a atenção mesmo. ‘Juca, mas você só sai com mulher alta’. Não é que eu sou baixo. Aí larguei o jornalismo para fazer a carreira porque sem querer, ela estourou. Eu paguei meu primeiro "disquinho", em 1978. Ninguém quis me contratar e cantar minhas músicas. Tive uma carreira muito rápida. Aos 21 anos tinha uma bagagem de umas 70 músicas entre sátiras, sonetos satíricos, de amor e modinhas. Foi espontaneamente, não procurei a carreira, ela veio a mim.
<b>CdF</b> - O que você acha do ‘CQC’, da Band?
<b>Juca</b> - Vi uma vez. Gostei, pelo menos é uma idéia de ser novo. Mas precisa ver aonde vai ser novo: o fato de fazer stand up é velho, o americano já faz há 80 anos. A comédia stand up não tem um texto inteligente, mas está na moda. Hoje no teatro, o pessoal só fala palavrão, achando que é gozado. O palavrão só é gozado quando ele vem dentro de uma piada de humor sendo gozada, senão não tem graça. É difícil fazer humor bom na televisão.
<b>CdF</b> - Você acompanhou a trajetória de mais de dez presidentes ao longo da sua carreira. Qual dava mais gosto de fazer sátira?
<b>Juca</b> - Todos deram um gostinho do momento, fiz para todos. Eu era garoto ainda, mas funcionou numa época e o transformou até numa figura simpática: o Figueiredo (João Batista de Oliveira Figueireido). Sabe qual foi o governante que mais amou esse País? Pena que mandaram ele embora depois de seis anos: Maurício de Nassau. Na época dele o Brasil era o maior País das Américas.
<b> Ouça abaixo a divertida entrevista de Juca Chaves na Difusora:</b>
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<i>*Se não conseguir ouvir o áudio, clique <a target="_blank" href=" http://www.entertonement.com/clips/qfwskcnfzw--15266"><u>aqui</u></i></a>.
<b> Relembre um dos grandes sucessos de Juca Chaves: A Cúmplice:</b>
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