O pai do adolescente que matou o serviços-gerais Wanderson César Rodrigues, na madrugada do último domingo, na porta de uma boate no Centro, é procurado por tráfico de drogas pela Justiça do Estado de Goiás. Por isso, a Polícia Civil de Franca acredita que ele não deva comparecer para prestar depoimento, uma vez que pode ser preso pelas acusações. O delegado Márcio Murari, que apura o caso local, não descarta a possibilidade do revólver, usado no crime, ser do pai do acusado que, por enquanto, responde em liberdade. Se comprovado que o pai é dono do revólver ele pode responder por coautoria.
O delegado admitiu eventual dificuldade em ouvi-lo, já que ele está foragido. “Através da ficha de antecedentes, ele consta como procurado por acusações de tráfico de drogas. Diante disso certamente não comparecerá na DIG (Delegacia de Investigações Gerais) para prestar esclarecimento”, explicou Murari. Não há maiores detalhes sobre os fatos que levaram ao pedido da Justiça goiana.
Ontem novos testemunhos do crime foram ouvidos na delegacia. A outra vítima baleada durante a confusão ocorrida na porta da boate, o vigilante PCCA, 20, morador no Jardim do Éden, atingido no braço esquerdo, prestou depoimento. Ele não confirmou ter sido o adolescente o autor dos disparos que mataram Rodrigues. PCCA disse a reportagem do Comércio, que havia um grande tumulto na porta da boate e não deu para ver direito quem teria efetuado os disparos. “Eu estava mais embaixo, vi as mulheres brigando e depois um tumulto. O primeiro tiro me acertou. Cai e não vi se era o pai ou o menor que estava com a arma”, declarou.
Para a polícia não há dúvidas de que o adolescente tenha mesmo atirado contra Wanderson. Só que o delegado não acredita que o revólver seja do adolescente, como foi declarado em depoimento pelo menor. “O que acreditamos é que essa arma estava dentro do veículo. É isso que estamos tentando provar. Buscamos testemunhas que possam nos dizer, que esta arma pertence ao genitor do menor”, disse Murari.
A Polícia Civil deve enviar ao Fórum o relatório que apurou a participação do adolescente no crime ainda nesta semana. O delegado Márcio Murari não adiantou se ao final do relatório vai pedir a custódia preventiva do adolescente. “Existem requisitos para pedirmos uma prisão. Existe uma legislação, inclusive o Estatuto da Criança e do Adolescente que tem que ser respeitada.
O fato que colabora em favor do menor é que ele se apresentou espontaneamente, tem endereço fixo e se colocou à disposição da Justiça”, disse Murari.
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