Mesmo saco


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Exatamente. Farinha do mesmo saco as majestades que temos na chefia do Executivo e Congresso Nacional. Tenho me esforçado para alimentar esperanças de melhores dias para o Brasil, no entanto, meu desalento se agiganta a cada dia, tornando-me cético e desprotegido com as atitudes emanadas dos poderes de nossa infelicitada república. Se no passado foi possível afirmar que o País crescia enquanto os políticos dormiam, tal crença já não pode fazer parte de nosso cardápio. Estão solertemente acordados. Nascido de mãe maranhense em São Luiz do Maranhão em 8 de outubro de 1863, Catulo da Paixão Cearense cantou com emoção "Não há, ó gente, oh não, luar como este, do sertão..." , acrescentou ao patrimônio brasileiro a fortuna e riqueza de sua arte, com encanto e singeleza na poesia e canção. Dignificou a honra e sentimento do Maranhão. Antônio Gonçalves Dias também nasceu no Maranhão para trabalhar a consolidação do romantismo no Brasil. Depois de passar por Coimbra, partilhando ideias românticas de Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Antônio Feliciano de Castilho, retornou ao Brasil. Levado por um excessivo escrúpulo de honradez e lealdade, viés de seu comportamento, abdicou ao grande amor de sua vida. Aos 41 anos, sepultou-se no mar com o naufrágio do navio Ville de Boulogne, nas costas do Maranhão. Escreveu a nobreza do seu Estado e encantos do seu país com "Canção do exílio": "Mentiste, que um Tupi não chora nunca, / E tu choraste!... parte; não queremos / Com carne vil enfraquecer os fortes". O Estado de Alagoas viu nascer os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto a reportar lembranças da proclamação da República; mestre Zumbi dos Palmares, Hermeto Paschoal, Djavan, Pontes de Miranda, Guimarães Passos, Aurélio Buarque de Holanda e Graciliano Ramos. Graciliano Ramos, um dos mais expressivos símbolos da literatura brasileira, manteve-se fiel a seu ideário político adotando contestação ao regime em favor das tendências comunistas em retidão. Em certo momento, como prefeito no interior de Alagoas – cargo ao qual renunciou – consta dos registros, soltava os presos combatendo a ociosidade ocupando-os na construção de estradas do município. Esse grupo concidadão honrou a história de Alagoas e o Brasil com a herança doada. Pernambuco também se afortunou na oportunidade de viver momentos de profunda inteligência vendo nascer em seu domínio – Recife –, Capiba, no movimento caloroso do frevo em que soube mostrar a arte musical de suas composições; Manuel Bandeira: `...o sol tão claro lá fora, / o sol tão claro, Esmeralda, / e em minhalma – anoitecendo`; Gilberto Freyre: "As mangueiras / o telhado velho / o pátio branco / as sombras da tarde cansada". Hoje, onde estão a beleza do luar, o escrúpulo de honradez e lealdade? Não podemos permitir o vil corrompendo o honesto. Queremos bandidos presos, fora da ociosidade. Venha a alegria do frevo sem tarde cansada, sem anoitecer no espírito. Aos que mentem, desejamos, no mínimo, que partam, deixando aos decentes a vida pública. Defender a venalidade, apoiar corruptos, ignorar fatos evidentes, anunciar medidas investigativas contra protegidos é engodo arranjado para eximir-se. Todos, farinha do mesmo saco, nunca se atentando aos bons exemplos do passado. Garcia Netto Jornalista

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