Morre Milton Fontelas, maestro da Fanomas e Banda "Rossini"


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<b>HOMENAGEM</B> - Integrantes das corporações, emocionados, saudaram a partida do maestro Milton Fontelas
<b>HOMENAGEM</B> - Integrantes das corporações, emocionados, saudaram a partida do maestro Milton Fontelas
Morreu dia 20 de junho, aos 51 anos, o conhecido e respeitado músico e maestro de fanfarras e bandas, Milton Ferreira Fontelas. Enfrentava grave pneumonia causada pela perfuração de um dos pulmões adquirida em acidente ocorrido em 11 de junho, em Cristais Paulista, e estava internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Unimed. Ele se dirigia a Cristais para mais um dia de ensaios da Banda Marcial "Maestro Rossini", que conduzia há 10 anos no município. Ao volante de sua perua, teve uma síncope respiratória, bateu, a porta se abriu e ele caiu no asfalto. Fraturou uma das costelas e sofreu perfuração de seu pulmão direito. Era um homem determinado. Chegou a pesar mais de 150 quilos e, consciente da necessidade de perder peso, emagreceu quase 46 quilos. Lutava, por último, contra o fumo. Sua carreira musical foi iniciada na Escola “João Marciano de Almeida”, onde integrou a corporação musical conduzida pelo músico e maestro Roberto Ambrósio, o Topete (trompetista da antiga Orquestra Laércio de Franca e um dos principais nomes de bandas e fanfarras da região), cujo nome batiza a escola de música do município de Franca. Tomou gosto pela batuta. Tornou-se funcionário da Prefeitura Municipal e seus serviços, como músico, foram cedidos por muitos anos ao TG 02/013, onde cuidou das várias fanfarras que atuaram, por décadas, nas atividades daquele quartel do Exército. Paralelamente, criou a Fanfarra Marcial da Escola "Otávio Martins de Souza" – Fanomas, e a regeu por 26 anos, até sua morte. Há 10, convidado a coordenar as atividades da Banda Marcial "Maestro Rossini", de Cristais Paulista, aceitou e criou um sistema de parceria que abrigava, integrantes da Fanomas francana lá e aqui, instrumentistas e dezenas de jovens cristalenses. Ensinou música, respeito às regras, à hierarquia e lições de superação. Tornou cidadãos melhores mais de 3,5 mil jovens segundo os cálculos de sua mulher, Meire Aparecida Almeida Medeiros Fontelas, com quem esteve casado também por 26 anos e ela se transformou em sua principal auxiliar e aliada. "Segui cada passo de meu marido, de seus sonhos e de suas conquistas junto aos jovens que respeitava e aos quais ensinava também bondade e respeito. Fazia questão de exercitar disciplina e, na ocasião de seu velório, recebi personagens de várias gerações que trabalharam música com ele. De todos, ouvi que Milton fez diferença na vida deles. Isso me comoveu e confirmou a certeza que todos os que o conheceram tinham sobre sua maneira adequada de ver a vida, doando a alegria da música a quem desejasse se acercar dela", disse Meire ao Comércio. Estava aposentado da Prefeitura há 4 anos. Apesar de suas dificuldades de saúde, não deixou de conduzir todas as atividades das corporações musicais de Franca e Cristais. Seu velório aconteceu no São Vicente de Paulo. O caixão acolheu as flâmulas da Fanomas, da "Maestro Rossini". O Tiro de Guerra esteve presente com instrutores e atiradores. No Cemitério da Saudade, onde aconteceu o sepultamento, tocante cerimônia teve lugar. O traslado do corpo foi antecipado pelas guardas-de-honra das corporações musicais, marchando ao som de caixas e tambores. Nas imediações do túmulo estavam integrantes das fanfarras, principalmente os instrumentistas de sopro. Três peças musicais foram executadas, com ênfase para "Ave Maria do Morro", a preferida de Milton, segundo arranjo pessoal que ele criou e com o qual fez da Fanomas, penta-campeã de Festival Nacional de Bandas e Fanfarras, ocorrido há alguns anos em Caieiras (SP). O prefeito de Cristais Paulista, Hélio Kondo, usou da palavra no momento do sepultamento, agradecendo a educação musical e de cidadania que Milton dedicou-se a transferir à juventude de duas cidades. Ao final, garantiu ao Comércio que a Banda "Maestro Rossini" continuará ativa, em respeito à memória de seu maestro.

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