Você já se imaginou acordando um dia em um lugar onde nunca havia estado antes? E se você ainda estivesse sozinho e percebesse que não conhece ninguém a sua volta e nem a cultura, as comidas e o idioma? Ficaria assustado? Pois saiba que muita gente busca esse tipo de "aventura". O intercâmbio, seja ele cultural, estudantil ou de trabalho, é a forma preferida daqueles que buscam "turbinar" a carreira profissional. Para muitos esta é a melhor forma de ganhar fluência em um idioma que mais tarde pode lhe render benefícios diretos em uma profissão. Ainda de quebra a pessoa ganha experiência de vida.
Segundo Rodrigo Lambert, diretor administrativo da Miles Viagens, um programa de intercâmbio para estudar sai em torno de US$ 2,5 mil (R$ 5.035) por mês, incluindo cursos e hospedagem. Já o colegial em um país de língua inglesa, o high school, é um pouco mais barato, pois gira em torno de U$ 7 mil por ano (R$ 14.100 ou R$ 1.175 por mês). Ainda segundo Rodrigo, cerca de 60 pessoas saem de Franca todos os anos somente por intermédio da sua agência, a Miles, principalmente rumo aos Estados Unidos e Canadá.
Associações e entidades em todo o mundo também trabalham com o intercâmbio facilitando a ida e a vinda de estudantes de vários países. A Aiesec, rede global formada por jovens universitários e recém-graduados, é uma delas. Por meio do trabalho dentro da organização e de intercâmbios profissionais, ela estimula a descoberta e o desenvolvimento do potencial de liderança de seus membros. A Aiesec está presente hoje em 1,7 mil universidades de 107 países e territórios.
A estudante de relações internacionais Débora Cristina Timossi, de 19 anos, foi uma das que viajaram com a ajuda da associação. Ela, que está em Franca há três anos, fez uma viagem de desenvolvimento, que é como a Aiesec chama as excursões onde o trabalho realizado por estudantes é feito em ONGs ou junto a projetos sociais e educativos.
Débora ficou por quase três meses (de dezembro de 2008 a março de 2009) em Craiova, na Romênia, no Leste Europeu, ministrando treinamentos de desenvolvimento pessoal para adolescentes entre 14 e 16 anos no ensino médio romeno. O tipo de viagem feito pela estudante de relações internacionais tem, geralmente, uma duração mais curta, entre dois e quatro meses, e, na maioria dos casos, não há remuneração pelo trabalho realizado.
O que ocorre neste caso é o fornecimento de certos benefícios para diminuir os gastos do intercambista, como alimentação, hospedagem e transporte interno no local de trabalho. Débora escolheu a Romênia para viajar pela curiosidade em conhecer países não usuais, porém com história e realidade diferentes e interessantes. Dentre as opções de destino estavam África e Leste Europeu. A relação custo/benefício da Romênia ajudou na escolha.
Desde que voltou para o Brasil já recebeu algumas propostas de trabalho, mas preferiu se dedicar apenas à faculdade. Mas ela não tem dúvidas sobre o lado positivo da experiência: no ano que vem poderá entrar no mercado de trabalho falando cinco línguas (além do português): inglês fluente, italiano e espanhol intermediários, francês básico e romeno básico.
Sobre seu dia-a-dia na Romênia, Débora ainda tem muitas recordações, que segundo ela serão para o resto de sua vida. "Foi tudo muito tranquilo e prazeroso. É um povo diferente, porém hospitaleiro e caloroso como nós. Passaram por muitas guerras e um período difícil, causa do grande atraso econômico do país. Mas o lugar é lindo, ainda com muitas marcas do comunismo em sua estrutura arquitetônica. As paisagens são cinematográficas", concluiu.
Amanhã deve chegar ao Brasil uma chinesa que vem ficar cinco meses em Franca. Sisi Liu, de 21 anos, vem pela Aiesec e vai trabalhar na empresa calçadista Carmen Steffens, uma das parceiras da Aiesec em Franca.
<b>ROTARY</b>
O Rotay Club também tem um trabalho com intercâmbio. Todos os anos mais de 8 mil jovens passam por estas experiências. O clube oferece três tipos diferentes de viagens: o IGE (Intercâmbio de Grupo de Estudos) para profissionais liberais, o específico para jovens de 15 a 17,5 anos com duração de um ano e para pessoas acima de 18 anos com duração de até seis meses.
Para se inscrever não é necessário ser rotariano, basta fazer a inscrição em um dos mais de 32 mil clubes nos mais de 200 países em todo o mundo. É o chamado clube padrinho que assina a ficha de inscrição. Há uma lista de espera e uma seleção feita com os candidatos. Cada um desembolsa R$ 2 mil em taxas, mais passagens aéreas e seguro de vida. Em agosto 18 jovens partirão para a Europa, quatro são francanos que vão para a Dinamarca, Japão e França.
O caminho foi utilizado pelo capitão do 2º Subgrupamento do Corpo de Bombeiros de Franca, Alexandre Luís dos Santos, de 38 anos, para viver algumas experiências fora do Brasil como em Nova York e Canadá. Em 2006, ele esteve por 38 dias na Índia na companhia de mais seis profissionais, um deles, o líder, era rotariano. O grupo visitou 17 cidades e cinco estados conhecendo a realidade do povo e o tipo de trabalho que outros profissionais da mesma área realizam.
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