Hordesa Aparecida dos Santos, 33, diarista, está desempregada há sete meses. Francisco Assis Vitor Lima, 32, jardineiro, perdeu o emprego em dezembro. Silvia Helena da Silva Braga, 46, gerente administrativa, foi demitida em janeiro. Giovanni Faleiros, 26, motorista, está parado desde fevereiro. Embora não se conheçam, todos têm em comum o drama do desemprego que somente em abril último vitimou 3,4 mil pessoas em Franca, conforme dados de demissão do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho.
São mães e pais de família que, de uma hora para a outra, se viram excluídos do mercado de trabalho. Em todas as histórias, a maior frustração é acordar cedo e não ter um emprego para o qual ir. "A gente se sente impotente e fica perguntando porquê?", diz Silvia. No último emprego, numa fábrica de bancos para automóveis, ela chegava a ganhar R$ 2 mil. Atualmente, para poder pagar as contas, tenta vender uniformes a uma cartela de clientes já definidos. Um bico em que o maior lucro tirado até agora não passou de R$ 300.
<b>Ouça o depoimento de Hordesa dos Santos:</b>
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Para o psicólogo Ari Pedro Balieiro Júnior, o desemprego causa medo, angústia e um desespero que faz a pessoa tomar decisões sem refletir. "Ela quer resolver esse problema o mais rápido possível e assim corre o risco de aceitar propostas das quais pode se arrepender posteriormente. O desempregado não consegue pensar em muitas alternativas". Balieiro diz que diante de um cenário de muito desemprego é comum entre os empresários a utilização da lei de oferta. A medida implica a redução dos salários oferecidos e aumenta no desempregado a sensação de angústia e humilhação.
"Se não aceito um trabalho de R$ 600 o contratante fala que há outro candidato na fila que aceita. É desesperador", lembra Silvia.
Professora de administração e marketing da Unifran (Universidade de Franca), Eva Susana Soares de Oliveira acredita que diante de um cenário negativo e competitivo é preciso ter ainda mais iniciativa para conseguir um novo emprego. "Muitas empresas estão à procura de um empregado, de um líder, uma pessoa de iniciativa e muitas habilidades. Então quem está desempregado deve se capacitar tanto na área técnica como na humana".
Eva disse também que o desemprego em Franca é reflexo de uma crise mundial e todos, independente de classe e função, estão sujeitos a ele. "Ninguém está livre e como não somos organizados financeiramente acabamos nos desesperando. Não temos o hábito da economia, gastamos mais do que ganhamos".
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