Depois de se arrepender de abandonar o filho horas após o nascimento e ganhar uma segunda chance de tê-lo em seus braços, Antônia*, 22, vibra com cada sorriso, com os passos e cada vez que Pedro*, 1,4 ano, fala “mamãe”. No próximo dia 24, completará 1 ano e 4 meses que ela abandonou o bebê na Santa Casa de Franca. A jovem diz ter superado o trauma e comemora o fato de conseguir criar os dois filhos. O mais velho tem 2,8 anos.
A jovem escondeu a gravidez de toda família até o nono mês. Ao ser levada para a Santa Casa com contrações, disse que faria cirurgia para retirar um cisto do útero. O bebê nasceu no dia 24 de fevereiro, às 11 horas. No horário de visita, a mãe deixou o hospital, abandonando o recém-nascido sozinho no quarto. Quando souberam que ela tinha protagonizado a história que repercutia em toda a cidade, familiares de Antônia procuraram a delegacia e o hospital para tentar recuperar a criança.
Mãe e filho ficaram cinco dias separados. Depois da avaliação do Serviço Social do Fórum e Conselho Tutelar, o juiz da Infância e da Juventude autorizou o retorno do nenê para os braços da mãe, que estava arrependida e queria o menino de volta. A jovem alega que abandonou o filho porque o ex-marido era agressivo e não queria outro filho. “Tive medo da reação dele. Não tive outra alternativa”.
<b>Ouça abaixo a entrevista da repórter Nelise Luques:</b>
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Desde o nascimento do caçula, Antônia terminou a relação com o pai das crianças. Durante dez meses, morou numa casa alugada com os meninos. Mas desistiu de ficar sozinha e voltou para a residência da mãe. Com apoio da família, tem aprendido dia a dia o prazer da maternidade e conseguido educar os garotos.
Em novembro último, conseguiu um emprego como auxiliar de cozinha. Enquanto trabalha, o filho mais velho fica na escola em período integral. Pedro permanece sob os cuidados do tio. “Meu irmão cuida dele para mim. É como se fosse o pai dele, mas na semana que vem ele começará na creche. Consegui vaga”.
Antônia disse que teve depressão depois de ter abandonado Pedro, mas os filhos a ajudam a superar momentos de tristeza e arrependimento. Ela não fez acompanhamento psicológico. “Eu acho que se eu não tivesse recuperado o bebê, estaria em depressão até hoje. Ter pego ele de volta, me fez ter vontade de viver”. O Fórum faz visitas bimestrais para acompanhar mãe e filho. Ela não se esquece do episódio. “Tem hora que estamos só nós e ele faz umas gracinhas, aí passa toda história na minha cabeça. Tenho dó por tê-lo abandonado”. Antônia pretende contar para ele sobre o abandono. “Penso que ele tem de saber a verdade”.
(*) Os nomes são fictícios
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