As quedas dos idosos


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Os pesquisadores Evandro Coutinho, Kátia Bloch e Laura Rodrigues, respectivamente da Escola Nacional de Saúde Pública “Sérgio Arouca”, Fundação Oswaldo Cruz, do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ; e London School of Hygiene & Tropical Medicine (Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, na Inglaterra), fizeram um estudo para determinar as circunstâncias e características de quedas entre os idosos do Rio de Janeiro. O objetivo dos pesquisadores foi estudar as razões da produção de fratura graves. Os casos foram obtidos de dois estudos caso-controle para investigar fatores de risco para fraturas graves decorrentes de quedas de indivíduos com 60 anos ou mais. Esses indivíduos foram estratificados por variáveis clínicas, sócio-demográficas e circunstâncias do acidente. Cerca de 3/4 da amostra era composta de mulheres. A pesquisa analisou 414 casos, de cinco hospitais em diferentes regiões da cidade, que envolviam fraturas e hospitalizações, descritos em dois outros estudos feitos entre 1998 e 2004. Ficou evidenciado que a maior parte das quedas que resultaram em fratura grave entre idosos ocorre em domicílios, entre 6 e 18 horas, sendo que a maioria não foi atribuída a escorregar ou tropeçar. Os locais dos acidentes variam de acordo com sexo e idade. Do total, 77,5% dos acidentes ocorrem com mulheres e que em 17% dos casos o idoso vivia sozinho. A fratura de fêmur foi a mais comum, sendo mais frequente no grupo acima de 70 anos. Cerca de metade das quedas domiciliares ocorreu no quarto ou fora da casa. Quedas na cozinha foram mais comuns entre mulheres, enquanto os tombos no quarto foram mais frequentes entre homens, que se supõe estarem aí por terem mais limitações físicas devido às atividades diárias, segundo os pesquisadores. Cerca de 50% das quedas de homens e mulheres ocorreram durante o ato de andar, sendo que apenas um quinto dos casos foi atribuído a tropeços e chão escorregadio. Isso pode estar associado a fraquezas musculares, hipotensão provocada pela postura, arritmias, modo de andar mais lento e dores, dentre outros fatores que tendem a ser observado com o aumento da idade. Salto alto e de chinelo, ao contrário do que se possa imaginar, foi responsável apenas por 2% dos nos tombos. Este estudo pode ser utilizado como guia para os responsáveis pela saúde pública, principalmente, por quem cuida de idosos, preocupando-se com aquilo que realmente deve ser considerado na prevenção de quedas e fraturas graves, seja com medicamentos e alimentação e uso de aparelhos de apoio. O artigo “Characteristics and circumstances of falls leading to severe fractures in elderly people in Rio de Janeiro, Brazil” pode ser lido na íntegra na biblioteca on-line SciELO. Mario Eugenio Saturno Tecnologista sênior do INPE, professor do Instituto de Ensino Superior de Catanduva

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