Sidnei Rocha repara injustiça


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Sempre se apela para a memória quando se quer buscar alguma coisa que se perdeu no tempo, distante de nossa visão. Mas há que se distinguir duas formas de memória. A recordação é o ato de trazer ao presente o que ficou no passado, no baú dos guardados. Mas memória também é a capacidade, a disposição, a faculdade que leva a transformar sonhos em realidade. Segundo William James, podemos ter memória só de certos estados de ânimo que duram algum tempo. Importante é que a memória, em sua maior abrangência, deve se referir ao passado, de estar acompanhada de um processo emotivo. A memória, principalmente a histórica, não deve se perder. Precisa ser resgatada, perpetuada, de forma que as gerações que se sucedem se ilustrem com exemplos que devem ser seguidos. Há cerca de um mês, em contato com o amigo Ademir Medici, jornalista que assina há mais de 30 anos a coluna ‘Memória‘, no Jornal Diário do Grande ABC, soube de sua amizade antiga com o historiador Wanderley dos Santos, que morreu no dia 16 de janeiro de 1996, na Santa Casa de Franca, aos 44 anos de idade. Durante anos o jornalista trocou correspondência com o historiador e tem em seus guardados, dezenas de cartas enviadas por ele, além de folhetos de encontros de historiadores da região de Franca, promovidos pela Prefeitura, Secretaria de Educação e Cultura e Fundação Municipal Mário de Andrade no Edifício Champagnat, tudo remetido pelo Wanderley. Fiquei surpreso quando Ademir me contou que Wanderley, em agosto de 1989, fundou o Arquivo Histórico Municipal “Capitão Hipólito Antônio Pinheiro”, em Franca. Mais surpreso ainda fiquei ao descobrir que Wanderley dos Santos estava esquecido. Nada constava no arquivo que lembrasse seu fundador. Enviei um e-mail ao prefeito Sidnei Franco da Rocha notificando-o da injustiça que estava sendo cometida. Nesta segunda-feira, Marcelo Facuri, Assessor Especial de Comunicação da Prefeitura nos respondeu, informando que, em nome do prefeito Sidnei Franco da Rocha, a direção do Arquivo Histórico já está providenciando a identificação de uma sala Wanderley dos Santos, incluindo fotografia e biografia do homenageado. Enfim, o reconhecimento que se fazia necessário. Wanderley dos Santos não era acadêmico. Era autodidata e aprendeu na prática a palmilhar os caminhos da história paulista. Respirava o pó secular dos arquivos. Sua fonte básica foi a Igreja Católica, já que chefiou o Arquivo da Cúria Metropolitana antes de transferir-se para Franca. Mas formou uma biblioteca municipalista das mais importantes. Passou a dominar com maestria a história dos municípios paulistas, em especial, mas também de outras cidades brasileiras, o que o levou a titular de vários Institutos Históricos importantes, começando pelo de São Paulo, instituição criada no final do século 19 e que está em atividade no centro da capital paulista. Wanderley era meticuloso. Escrevia à mão, em letra de forma, e não acreditava cegamente na história oficial. Preferia as fontes primárias às secundárias, mas não abria mão de fonte alguma. Cauteloso, checava todas as informações e produzia teses com as quais podia discutir o que descobria. Publicou vários estudos e livros. No entanto sua obra maior permanece inédita, esparramando-se por milhares de folhas de anotações hoje preciosas, inclusive para entender a formação histórico-social de Franca e da região Nordeste do Estado de São Paulo. <b>SUGESTÃO </b> Permita-nos, autoridades francanas, a sugestão para que, na inauguração da sala Wanderley dos Santos seja feita uma exposição sobre os vários encontros de historiadores locais promovidos nos primeiros anos do Arquivo “Capitão Hipólito Antonio Pinheiro”. Wanderley gostaria muito que o seu trabalho fosse mostrado às novas gerações. <b>LULA NAS TELAS</b> Em janeiro do próximo ano deverá chegar às telonas o filme que conta a vida do presidente Lula. A película tem o nome de ‘Lula, o Filho do Brasil”. Eu disse filho do Brasil! <b>PREFIRO OS NOSSOS</b> Na Irlanda do Norte, um rato foi encontrado dentro de um pão. Morto, evidentemente. Sou mais aqui, onde os ratos circulam livremente e, em geral, fazem regime, desprezam pães e queijos, preferindo, a qualquer outra coisa, dólares e cuecas. <b>NEGATIVO</b> Quando chega a seca, os produtos sobem nas feiras livres por conta da falta de água. Quando chove, os preços sobem ainda mais porque a água levou tudo. Qual a medida certa de água para esses preços baixarem? <b>POSITIVO</b> A homenagem que se prestará a Wanderley dos Santos, fundador do Arquivo Histórico Municipal “Capitão Hipólito Antônio Pinheiro”, de Franca, demonstra que ele é merecedor disso, pois temos certeza que antes de responder ao nosso pedido, o prefeito Sidnei Franco da Rocha determinou à sua assessoria que pesquisasse a presença de Wanderley na cidade e observasse que o seu trabalho, plantado em agosto de 1989, frutificou e deixou seguidores. Muito provavelmente, independente das questões partidárias, quem está à frente do Arquivo Histórico de Franca trabalhou com Wanderley ou soube do seu trabalho e pode aquilatar toda a sua competência e seriedade. <b>NUMA FAZENDA...</b> Um cidadão, recém-chegado ao campo, indaga ao fazendeiro: ‘Quantos bois o senhor possui nesse pasto?‘. O fazendeiro olha, de relance, a paisagem: ‘São 1217 cabeças de gado‘. O outro: ‘E como o senhor contou tão rápido?‘. O fazendeiro: ‘Simples, contei as patas de cada um e depois dividi por 4‘. <b>Edward de Souza</b> <i>Jornalista e radialista</i> edward@comerciodafranca.com.br

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