A Dirigente Regional de Ensino de Franca, Ivani Marchesi, exonerou a filha, a professora e advogada Rita de Cássia Marchesi de Oliveira, da assessoria jurídica da Diretoria de Ensino local.
A demissão ocorreu no dia 18 de maio, dez dias antes de o governador estadual José Serra (PSDB) publicar decreto que proíbe parentes em cargos de confiança, prática conhecida como nepotismo. Nos corredores da Delegacia de Ensino, comenta-se que a saída da professora é reflexo da Súmula 13, editada pelo Supremo Tribunal Federal em agosto de 2008 para dar fim ao nepotismo em cargos de confiança nas esferas municipal, estadual e federal. A dirigente nega qualquer relação e diz que a designação da filha para a função está embasada na legislação.
Rita Marchesi de Oliveira é professora de História concursada na rede estadual. Estava alocada na Diretoria de Ensino de Ribeirão Preto e também lecionava em Batatais. Em fevereiro de 2008 assumiu a assessoria jurídica em Franca. Segundo Ivani, o cargo permaneceu nove meses desocupado após a aposentadoria da assessora anterior, a professora Elizabete Cosmo, no ano retrasado. Para assumir a função, o servidor deve ser PEB II efetivo, ter três anos de casa e ser bacharel em Direito. “A professora Rita assumiu a função por ter sido a única que se apresentou. Publicamos edital no jornal durante três dias convocando interessados, mas não houve manifestação. Não é comum na nossa rede os profissionais reunirem esses dois quesitos: ser efetivo e bacharel em Direito”, disse ela.
A dirigente disse que a indicação da filha estava embasada no Estatuto do Servidor Público, no artigo 244, da Lei 10.261, que proíbe a indicação de pessoas com laços consanguíneos em cargos de confiança, exceto por necessidade extrema do serviço. Ela nega qualquer irregularidade. “Chegou um ponto que ficou urgente a necessidade de um representante do jurídico. Deixo frisado que a súmula (13, que proíbe nepotismo) no Estado de São Paulo não tinha sido regulamentada. Isso foi feito agora (27 de maio). A lei que já se tem anteriormente me permitia fazer a indicação da professora Rita. Em Franca não houve nepotismo”, afirmou Ivani.
<b>Ouça aqui a justificativa de Ivani Marchesi:</b>
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Rita Marchesi foi afastada da DE de Ribeirão para atuar em Franca.
A demissão da filha da dirigente foi publicada no Diário Oficial no dia 19 de maio. Segundo Ivani, a decisão foi motivada por razões pessoais da professora. “Ela quem optou por sair. É para ter mais tempo de estudos para futuros concursos. Como professora, ela cumpria 20 horas semanais e na assessoria, 40 horas, conforme determina a lei”. Rita estava de férias para retornar para a Diretoria de Ribeirão. Ivani Marchesi, mãe da professora Rita, se negou a fornecer contatos da filha. Ela estava de férias e seu nome não consta da lista telefônica.
Enquanto assessora jurídica, a professora acompanhava mandados de segurança e pregões, por exemplo. A dirigente de Franca não revelou o salário da ex-assessora jurídica, apenas disse que a filha não foi admitida para “levar vantagens a custo da administração”. A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação também não informou o salário e disse que não há irregularidades na nomeação em Franca.
A delegada de Ensino admitiu que conhecia o plano do governador José Serra contra o nepotismo na rede estadual, mas que a demissão da filha está desvinculada disso. “Aqui não havia nepotismo. Repito, a professora Rita estava admitida com base no Estatuto, portanto não havia irregularidade. E ela foi demitida antes do decreto do governador. Haveria irregularidade agora que o decreto do Serra foi publicado”. Rita Marchesi permaneceu nove meses no cargo após a decisão do STF de vetar contratações de parentes. Ivani não vê problemas. “Antes do decreto a súmula (13) não estava regulamentada. Leis precisam ser regulamentadas”.
Desta vez, houve interessados em assumir a função de assessor jurídico da Diretoria de Ensino de Franca. “Dessa vez já houve manifestação de candidato que já está com os requisitos exigidos... Em 2007 eu não encontrei nenhum e eu não sei como estava a situação da rede. Não houve interessado. Fica difícil responder (como apareceram interessados agora), é uma pergunta capciosa, como é que eu vou saber que agora alguém teve interesse? A única coisa que posso afirmar é que não tive nenhuma manifestação na época de candidatos interessados”, disse Ivani Marchesi. O cargo está preenchido desde a última semana de maio.
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