Morre Olívio Mazza, ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira


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Morreu ontem, aos 89 anos, o ex-pracinha da FEB (Força Expedicionária Brasileira) Olívio Mazza. Teve debilitação física severa desde que, atropelado por um caminhão em frente à sua casa, há nove anos, ficou acamado. Há uma semana, acometido por mais uma das crises psicológicas que desenvolveu após voltar de batalhas na 2ª Guerra Mundial, tentou se levantar, teve uma queda e fraturou o fêmur. Internado, viveu problemas respiratórios que evoluíram para pneumonia e parada cardiorrespiratória. Desde o atropelamento, vivia na casa de sua filha Maria Aparecida, que se tornou `quase mãe` de seus próprios pais. Era filho de Ângelo Mazza e Amabili Faccioli. Nasceu em propriedade rural da região de Cristais Paulista e se tornou lavrador. Na adolescência, alistou-se no Exército e isso lhe valeu convocação para lutar na 2ª Guerra Mundial. Esteve em batalha na Itália por 1 ano e 4 meses e, segundo sua filha Maria Aparecida contou ao Comércio, "desenvolveu problemas mentais que nunca mais lhe deram paz. Nunca conseguiu se esquecer de dezenas de amizades que fez entre os pracinhas, e que viu morrer. Contava sobre as tristezas dos campos de guerra e chorava". A família, durante o velório, portava várias fotografias do ex-pracinha. "Ele era um dos últimos combatentes vivos de nossa região, orgulhava-se disso e nós nos orgulhávamos muito dele pela coragem com que desenvolveu o que dele se esperava", disse o neto Lázaro, que também falou a este Comércio. O ex-combatente se casou após voltar da guerra, mas perdeu a mulher pouco tempo depois, na ocasião do nascimento de um filho. Novo matrimônio, desta feita com Josefina Morila Mazza, com quem viveu os últimos 58 anos. Da união, nasceram três filhos (Maria Aparecida, casada com Anézio Ferreira; José Roberto, casado com Rosa, e Antônio Donizetti, casado com Ireni) e sete netos (Lázaro, casado com Taísa; Márcio, casado com Alessandra; Rogério, Ana Paula, Meire, Fernanda e Núbia). Deixou de trabalhar como lavrador há 40 anos e fixou residência em Franca. Após o atropelamento que sofreu há nove anos, foi, com a mulher, morar com Maria Aparecida. Ela estava inconsolável durante o velório ocorrido no São Vicente de Paulo. "Meu pai se tornou meu bebê. Sei que ele cumpriu sua história; ajudou como achou que podia na construção do mundo bom que sonhava, mas o preço que pagou foi muito alto: as sequelas do serviço prestado à Pátria foram definitivas. Sofreu muito, mas, certamente agora, encontrará a paz que sempre procurou, perto de Deus". Atiradores do TG 02/013, de Franca, presentes ao velório e acompanhados do comandante do quartel, levaram saudação à família e honras fúnebres do Exército Brasileiro. O sepultamento aconteceu às 16h30 no Cemitério da Saudade.

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