Aventura na cidade


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Não é preciso ser musculoso, garante o praticante David Albaneze, 19. Ele explica que o importante é ter agilidade.
Não é preciso ser musculoso, garante o praticante David Albaneze, 19. Ele explica que o importante é ter agilidade.
Pular muros, placas, postes e grades pode parecer absurdo, mas para os adeptos do Le Parkour é uma forma de lazer para os fins de semana. Na visão desta turma transpor obstáculos é sinônimo de prazer, superação e muita adrenalina. O equipamento é apenas o próprio corpo. Em Franca cerca de 30 pessoas já aderiram à prática. Os pontos de encontro são dois: Parque de Exposições "Fernando Costa" e Terminal de Ônibus em frente ao Banco Itaú. Os movimentos básicos são “monkey” (a passagem entre os dois braços), “two hands” (pulo com duas mãos), “dech” (pulo com a perna esticada apoiando as duas mãos sobre a barra) e “spid volt” (pulo em sentido horizontal com uma das mãos). A dica é cair na ponta dos pés e dar um giro para trás ou rolar no chão. Não é preciso ser musculoso, garante o praticante David Albaneze, 19. Ele explica que o importante é ter agilidade. “É essencial que a pessoa tenha o hábito de se exercitar”, disse. Para a realização das “acrobacias” a criatividade deve ser explorada. “Muitos movimentos nós mesmos inventamos. É só mudar uma coisinha aqui e outra ali que temos novos giros”, comentou Albaneze. Das atividades criadas a mais praticada e que ganhou fama entre a turma foi o “King Kong”, que consiste no mesmo exercício do spid volt, mas ao invés de apoiar primeiro na barra, eles pulam de uma vez só. Para efetuar as manobras Albaneze explica que é preciso tomar alguns cuidados. "Enrolar faixas nos pulsos e usar tênis com salto são medidas que devemos tomar antes de saltar." A pressão colocada no calçado é tão grande que até hoje, nos seus quatro anos de prática, já gastou 15 tênis. Outra alternativa para evitar tombos é passar areia nas mãos, principalmente na hora de fazer a bandeira, um dos movimentos mais efetuados. Os exercícios praticados por essa turma de francanos já são tão comuns que ninguém mais se assusta. "As pessoas antes chamavam a polícia e para todos éramos arruaceiros. Hoje a realidade é diferente. Alguns até assistem e curtem os movimentos", disse Albaneze. Para ele as atividades são uma forma de transpor obstáculos, enfrentar seus medos, um estilo de vida. "Tenho pavor de lugares altos, mas quando a questão é chegar e pular quebro minha própria barreira", afirmou. Outro que pratica os movimentos é o auxiliar de almoxarifado Alexandre Atiê Júnior, 19. Conhecido como Koxinha, ele declarou que o Le Parkour é essencial em sua vida. "Se eu pudesse colocaria os exercícios como parte do meu dia-a-dia", disse ele. Mesmo querendo ficar o tempo todo praticando não vê as atividades com fins lucrativos. "Acho errado quem ganha dinheiro com isso. Até existem competições. Mas acho errado. O Le Parkour é um desenvolvimento pessoal. Cada um tem seu modo. Não existe quem seja melhor", disse.

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