A cada quatro horas, um pai procura o Conselho Tutelar para pedir ajuda na tentativa de conseguir impor limites para seus filhos. Desrespeitados e muitas vezes agredidos por eles, depositam no órgão a última esperança para retomar as rédeas dentro de casa. O conselheiro tutelar Lucas Verzola disse que o atendimento mais comum feito no local tem sido a pais, mães e avós que chegam desesperados pedindo auxílio para resolver os conflitos domésticos.
Eles, que deveriam ter autoridade sobre os menores, não conseguem mais ser obedecidos. Por dia, o Conselho recebe entre duas e cinco pessoas com esse tipo de problema. Alguns recorrem ao Juizado da Infância e da Juventude. O Fórum recebe cerca de duas pessoas a cada semana nesta mesma situação.
Nas ocorrências registradas pelo Conselho, a maioria dos adolescentes tem entre 14 e 17 anos, mas a unidade já recebeu queixas de crianças com 9 e 10 anos. "Os responsáveis pelos menores perderam a autoridade. Eles simplesmente não obedecem mais. Muitos já partiram para a agressão física contra os próprios pais", disse Lucas. Só no primeiro quadrimestre deste ano, o Conselho registrou 397 denúncias de rebeldia de crianças e jovens.
Conselheiro há cinco anos, Lucas acredita que o comportamento dos filhos é reflexo da educação pelos pais. "Os pais até tentam educar. Mas muitos educam erroneamente, dão muita liberdade e, quando tentam impor limites, é tarde demais".
A primeira providência tomada pelos conselheiros após o pedido de socorro é advertir o adolescente sobre seus atos. "Mostramos os riscos que correm. Normalmente resolve. De dez conversas, sete têm resultados", disse o conselheiro.
<b>Ouça abaixo a entrevista da repórter Nelise Luques com o conselheiro tutelar Lucas Verzola:</b>
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Dependendo da situação, pais e menores são encaminhados para atendimento psicológico. Mas neste caso, a família enfrenta um entrave. Segundo Lucas, a espera por psicólogo nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) pode chegar a dois meses. "É complicado porque quando os pais procuram o Conselho, a situação já está grave e o acompanhamento deveria ser imediato."
No Fórum, o atendimento é basicamente de orientação. Os filhos são convocados pelo juiz da Infância e da Juventude apenas em casos extremos. "As mães nos procuram quando há pequenos furtos em casa que estão relacionados ao uso de drogas. Orientamos a procurar tratamento. Se há ameaças e agressão, o juiz adverte os menores", disse Douglas Quintanilha, diretor da Vara da Infância e da Juventude.
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