Tente prestar atenção quando você estiver andando pelo centro comercial de uma cidade para ver se encontra uma única loja ou supermercado com as portas baixadas e o recado colado: “Fechado para balanço”.
Atividade rotineira até a década de 1990, fechar um estabelecimento para balanço significava tirar um, dois ou até três dias para contar um a um, item por item, todo o estoque que existia. A tarefa, que era cansativa, mas absolutamente necessária para a sobrevivência da empresa, era a única maneira que empresários e gerentes tinham para saber quanto haviam vendido ou deveriam comprar de um determinado produto.
Durante os balanços, cada mercadoria era contada duas vezes, por duas pessoas diferentes. Se aparecesse diferença entre os números, a conta era refeita por uma terceira pessoa. Mesmo assim, sempre havia erros, muitos erros nas contas e nunca o que estava no papel correspondia ao que havia dentro do estabelecimento. Resultado: pesadelo para os gerentes e um prejuízo que chegava a 2,5% do estoque.
A era do “fechado para balanço” chegou ao fim com a criação do código de barras. Aquela sequência de riscos pretos que você vê na embalagem de todos os produtos que compra revolucionou o gerenciamento das empresas. Mas você sabe como ele funciona e como foi inventado?
Evitar tanta recontagem e etiquetagem de produtos (o que no Brasil da inflação, até 1995, ocorria mais de uma vez por dia) foi justamente o que o presidente de uma cadeia de supermercados pediu ao diretor do Instituto de Tecnologia Drexel na Filadélfia, Estados Unidos. O pedido foi ouvido pelo estudante de graduação Bernard Silver, que contou tudo ao amigo Norman Joseph Woodland.
Ele topou a ideia na hora. Depois de se dedicar alguns meses ao trabalho, ele desenvolveu um código de barras semelhante ao que é utilizado hoje e o apresentou a Silver. A ideia foi patenteada no dia 20 de outubro de 1949. As barras eram linhas circulares concêntricas que ficaram conhecidas como bull`s eyes (“olhos de touro”).
Três anos mais tarde, os dois amigos construíram o primeiro leitor de código de barras. Ele tinha o tamanho de uma cadeira e precisava ser enrolado em um pano preto para evitar que a luz atrapalhasse a leitura.
Na época. Woodland trabalhava na IBM, empresa que se ofereceu várias vezes para comprar a patente, coisa que a dupla não aceitou. Em 1962, a Philco convenceu os inventores com uma oferta irrecusável. Logo depois, a Philco negociou a patente com a RCA, que, por sua vez, juntou-se a várias indústrias para estabelecer regras para o desenvolvimento do código.
Em 1963, a IBM, empresa onde Woodland ainda trabalhava, conseguiu desenvolver um novo sistema. Aí nasceu o código de barras de sequências alfanuméricas tal qual o conhecemos atualmente, dotado das linhas verticais, chamadas Código de Produto Universal. Em 1974, o código de barras de uma caixa de chicletes foi o primeiro a passar oficialmente por um leitor, numa cidade do interior do Estado americano de Ohio. Era o fim dos erros na contagem dos produtos.
<a target="_blank" href="http://gcnreceitas.wordpress.com/files/2009/06/se-liga-codigo-de-barras.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-523" title="arte/comércio da franca" src="http://gcnreceitas.wordpress.com/files/2009/06/se-liga-codigo-de-barras.jpg" alt="arte/comércio da franca" width="468" height="290" /></a>
<b>O CÓDIGO DE HOJE</b>
Para Carlos Gomes, da área de logística do Magazine Luiza, o maior desafio que grandes empresas e a indústria enfrentam hoje é usar um código padrão, que possa ser empregado em toda a cadeia, desde o fabricante até o consumidor final.
Para se ter uma ideia de como o sistema de código de barras é indispensável, basta pegar o exemplo do Centro de Distribuição do Magazine Luiza em Limeira (SP), onde 10 mil produtos diferentes estão estocados. “O código de barras passou a década de 1980 inteira sendo discutido e aprimorado, para ser implantado nos anos 90. Hoje não me imagino como um centro de distribuição como o nosso pudesse ser controlado sem o sistema. É como imaginar que ainda pudesse haver nota fiscal escrita à mão, carimbo, carbono. Impensável`, disse Gomes.
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