Conselho de Leitores consolida o poder da crítica democrática no ‘Comércio’


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A penúltima reunião de mandato dos atuais conselheiros do Comércio aconteceu em 6 de junho. No próximo sábado, 20, o grupo se encontrará para escolher os finalistas a “Empresário do Ano” e “Empreendedor Soc
A penúltima reunião de mandato dos atuais conselheiros do Comércio aconteceu em 6 de junho. No próximo sábado, 20, o grupo se encontrará para escolher os finalistas a “Empresário do Ano” e “Empreendedor Soc
Ao entrevistar um integrante do atual Conselho do Comércio e um outro, que já saiu, foi possível ter uma ideia de como a experiência colocada em prática desde meados de 2005 é importante para esse selecionado grupo, representativo dos milhares de leitores do jornal. No primeiro caso, Luís Eduardo Marques Ferreira já começa a sentir a falta que os encontros bimestrais farão. Dentista, Duda, como é conhecido, disse que sua participação no conselho nesses quase dois anos acabou influenciando a relação que tem com seus clientes, fazendo com que abrisse um canal mais direto de comunicação, ouvindo-os e considerando suas sugestões e críticas. O segundo conselheiro entrevistado foi Alexandre Leonel, do primeiro conse lho. Ao ser questionado sobre como resumiria sua passagem pelo grupo, disse que se os clientes de sua farmácia de manipulação participassem do cotidiano da empresa da forma como os conselheiros do Comércio o fazem no dia-a-dia do jornal, poderia gerir seu negócio com maior tranquilidade, pois saberia onde erra, onde acerta, o que os satisfaz e como corrigiria o que os incomoda. Em síntese, teria retorno sobre o trabalho que desenvolve. A fala dos dois, obviamente sem saber que o outro seria consultado, dá bem a noção de como, por um lado, o trabalho do grupo é importante e, por outro, é levado a sério pela direção do jornal e pelos próprios conselheiros. Os debates da reunião do dia 6 começaram pouco depois das 9 horas e terminaram após as 13 horas. Durante esse tempo, o protocolo informal dos encontros analisa os assuntos mais discutidos na troca de e-mails que ocorre entre os conselheiros, em caixa postal exclusiva. Fora isso, os espaços são preenchidos por observações pontuais sobre a abordagem dada a reportagens, erros cometidos - não escapa nenhum - e até mesmo palpites em assuntos que, a princípio, não fazem parte das atribuições do grupo. Para quem participou pela primeira vez do encontro, como este repórter, várias observações podem ser feitas. A primeira delas é que o grupo assume, com diferentes nuances e níveis, que as edições do Comércio disponibilizadas ao universo de leitores representado por esses homens e mulheres é de responsabilidade da redação, com todos os seus profissionais, mas é também deles. Ao apontar falhas, elogiar os acertos e sugerir mudanças fica claro que são a base de uma pirâmide formada por milhares de pessoas, as mais diferentes possíveis. Dito isso, é preciso reconhecer que a iniciativa do Comércio é revestida de um caráter democrático, em que sobra espaço até para críticas pouco fundamentadas, mas que são igualmente ouvidas. Como exemplo fica o caso da reportagem mostrando que Franca tinha o álcool mais barato do Brasil (Caderno Local, em 24/4/09). Enquanto parte do conselho disse que a reportagem foi responsável pelo súbito aumento, outra parte, ligeiramente maior, reconheceu que, como imprensa, a função era informar. Embora discutível, o posicionamento daqueles que se mostraram contrários à matéria foi igualmente assimilado tal como o dos que a apoiaram. Prevaleceu, naquela ocasião, o imperativo da informação. Nas próximas semanas, o Comércio conhecerá seu novo Conselho de Leitores. Prosseguirá, para os jornalistas desta casa, a experiência de ter, muito próxima, a crítica contundente e direta daqueles para os quais escrevem. Estranho, mas fundamental. <b>CHAMADA</b> A penúltima reunião ordinária da gestão do atual Conselho de Leitores do Comércio reuniu Ana Célia Freitas, Camila Schirato, Carlos Eduardo Matos, Dinamar Domiciano, Luís "Duda" Ferreira, Marcos de Souza, Rosa Batista, Sérgio Lanza, Tatiane Venuto e Tiago Monteiro, dia 6 de maio, sábado. <b>VISITANTES</b> A convite dos conselheiros, estiveram presentes o repórter Paulo Godoy e a coordenadora de jornalismo da Difusora, Cíntia Flávia, além do comunicador Valdes Rodrigues. Pelo jornal e rádio, Corrêa Neves Júnior, Sonia Machiavelli, Denise Silva, Everton Lima e Luiz Neto. <b>O PREÇO DO ÁLCOOL</b> Duda Ferreira foi o primeiro a pedir a palavra: "O jornal foi o gatilho que causou impressionante alta nos preços do álcool combustível. Acho que deveria ter sido só uma notinha para não chamar muita atenção sobre o preço baixo praticado em Franca". Debate intenso. O jornal deve publicar sempre porque é fato? Só uma nota? Não publicar? O grupo fechou questão, em consenso difícil: o Comércio deve continuar publicando tudo o que seja verdade, factual. <b>OPINIÃO E DEBATE</b> A página 2 do Comércio, de Opiniões e Debates e o local da Objetiva (o Editorial), mereceu olhar especial do grupo. Quando tomaram posse em 2007, os atuais conselheiros – Duda, principalmente – insistiram em que a Objetiva deixasse a página 3, onde esteve por anos, e fosse para local privilegiado. Emplacaram a pedida. O novo design da página 2, lançado em meados de 2008, levou consigo a seção, voz oficial do jornal. Querem mais: "A valorização da Objetiva é essencial. Estudem espaço mais privilegiado". Anotamos. <b>CHARGES</b> O novo chargista do Comércio, Alexandre Fischer, está aprovadíssimo. Profissional de design do GCN, ele assumiu o desafio de extrair do factual francano os motes para charges que em poucas semanas caíram no gosto dos leitores. Luiz Neto, editor de Opinião, avalizou: "Era objetivo de curtíssimo prazo da Editoria de Opinião unir o poder de comunicação crítica das charges aos fatos do cotidiano francano. Conseguimos, com Fischer". <b>REFRESCO</b> Intensos debates mereceram momentos de descontração. A presença de Valdes Rodrigues, comunicador das manhãs da Difusora e vencedor de concurso que lhe rendeu viagem aos Estados Unidos, junto a Júnior, Everton Lima e Rodrigo Henrique, contando trechos da jornada, rendeu boas risadas. Quando Júnior contou sobre o jeito com que Valdes pedia cervejas e "fazia questão de ignorar" a tradição norte-americana de dar grandes gorjetas, o grupo veio abaixo. "Ele e Everton não entendiam porque as outras mesas eram atendidas com presteza e a deles, não". <b>RETOMADA 1</b> Retomadas de matérias agradam muito aos conselheiros. Dinamar Domiciano cumprimentou o GCN por ter voltado ao assunto do "sumiço" da advogada Adriana Tellini, fugitiva dos órgãos de segurança por mais de um ano. Foi só publicar e, imediatamente, a advogada foi encontrada e presa. Ana concordou: foi um texto sob medida e chamou a atenção da segurança pública para dar solução ao caso: “O leitor estava ansioso pela prisão. A cobrança ajudou, sem dúvida”. <b>RETOMADA 2</b> Ainda sobre "retomadas" Camila Schirato considerou o texto do repórter especial Paulo Godoy, sobre o caso do frentista de posto de combustível atropelado pelo francano Caio Meneghetti, em Ribeirão Preto, como quase perfeito, não fosse por um ‘pequeno deslize com a linguagem’, que a revisão não pegou (o verbo haver foi publicado sem o ‘h’). Paulo pediu a palavra e contou sobre a grande preocupação existente no GCN com questões jurídicas e, principalmente, sobre o texto final. Carlos Eduardo minimizou o questionamento de Camila: a grafia errada de um verbo - que venceu, verdadeiramente, dezenas de pares de olhos treinados para corrigir - não derrubou a excelência da matéria. <b>AINDA SOBRE O ERRO </b> Corrêa Júnior foi mais fundo: "Erros são inadmissíveis e todos nós, diretores, editores, repórteres, revisores, estamos empenhados em que não aconteçam. Ainda assim, ocorrem. Fazemos deles lembranças que não se apagam para evitar novas ocorrências. Cobramo-nos muito, pessoal e internamente". No caso da matéria sobre o frentista, Corrêa Júnior contou que o texto foi lido inú meras vezes por editores e advogados por quase dois meses até que chegasse próximo do ideal. Mas, depois de tantas revisões, a mente acabou se enganando e, em que pese o fato de o texto ter sido produzido por um repórter que trabalha como poucos com a norma culta da língua, a palavra escrita errado passou. Apesar do referido erro não ter comprometido a reportagem - cujo conteúdo foi alvo de elogios por todos - Corrêa Neves Júnior reiterou repetidas vezes que é necessário manter diariamente a luta incansável contra os erros. Por menores que sejam. <b>LEI SECA E SIMILARES</b> Outro embate interessante do encontro focou a Lei Seca. Carlos Eduardo foi taxativo: “As leis devem ser cumpridas”. Surgiram considerações similares quanto à legislação de uso de áreas públicas. De conclusivo, a certeza de que o Comércio tem que continuar produzindo textos que sejam didáticos, que resolvam dúvidas possíveis de leitores quanto ao que realmente ocorre. <b>PRÓXIMO ENCONTRO</b> O grupo atual de conselheiros terminará mandato no próximo dia 20 de junho. Na ocasião será realizada uma reunião especial. Durante o encontro, os conselheiros terão a incumbência de escolher dentre 20 nomes (pré-selecionados por diretores e editores do Comércio e Difusora entre mais de 600 inscritos) os seis nomes dos candidatos finalistas aos troféus especiais do GCN. Serão três nomes candidatos a Empresário do Ano e três a Empreendedor Social. Os referidos troféus especiais são homenagens do GCN a personalidades que se destacaram nas referidas atuações ao longo do ano. A entrega dos troféus é feita tradicionalmente por ocasião da festa Top of Mind que, neste ano, será realizada em 12 de setembro. <b>DESPEDIDA</b> Depois da escolha dos candidatos finalistas aos troféus, o GCN agradecerá o excelente trabalho realizado pelo grupo de conselheiros no contexto do esforço de aprimoramento do jornal Comércio da Franca e Rádio Difusora, nos últimos dois anos. Voluntariamente e, não menos por isso, com seriedade e dedicação sem paralelos.

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