Uma vida dedicada ao próximo


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<b>AJUDANDO CRIANÇAS A SE DESENVOLVER</b> - A fisioterapeuta Rosita Barcelos, 50, exerce a profissão há mais de 26 anos. Para ela, a maior recompensa da carreira é a recuperação dos pacientes, os quais
<b>AJUDANDO CRIANÇAS A SE DESENVOLVER</b> - A fisioterapeuta Rosita Barcelos, 50, exerce a profissão há mais de 26 anos. Para ela, a maior recompensa da carreira é a recuperação dos pacientes, os quais
<p align="justify">Uma apaixonada pela profissão. Assim se define a fisioterapeuta Rosita Lopes Barcelos, 50. Nascida em Ibiraci (MG), veio morar em Franca ainda na adolescência para estudar. Aqui permaneceu até concluir o ensino médio, quando se mudou para Campinas após ser aprovada no vestibular. Ela se formou em fisioterapia na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Campinas em 1981. Rosita é casada há 24 anos e não tem filhos, mas, segundo ela, cada um dos seus pacientes são como se fosse um filho. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><br />Desde 1983, trabalha na Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) de Franca. O emprego é quase uma segunda casa. As histórias são muitas - algumas tristes - mas a maioria delas muito especiais. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><br />Com jeito engraçado e sorriso fácil, ela conquista cada paciente. É tão querida que, para marcar uma consulta com ela, tem até fila de espera. Mesmo com a agenda cheia, Rosita encontra tempo para dedicar seu carinho aos pacientes. Para cada um deles, há um caderno onde é anotada com detalhes toda a trajetória do tratamento, dos atendimentos e o desenvolvimento alcançado nas sessões. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><br />Rosita Lopes Barcelos, mesmo conseguindo se comunicar bem com seus pacientes, garante que é muito tímida. Como ela própria diz: “Gosto de viver incógnita”. Em uma entrevista em seu consultório na última semana do mês de maio, a especialista contou um pouco de sua trajetória e dividiu sua paixão pela fisioterapia nesses 26 anos de carreira.</p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio da Franca - Por que você resolveu ser fisioterapeuta?<br />Rosita Lopes Barcelos -</strong> Sempre gostei desta área por isso decidi segui-la. Mas o caminho foi difícil. Tive que convencer meu pai a pagar esse curso na faculdade para mim. Ele não queria, pois a fisioterapia ainda era desconhecida. Batalhei muito, foi complicado lutar com todas as forças por esta profissão.</p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Como foi o início de sua carreira?<br />Rosita -</strong> Foi bem complicado. No ano em que me formei, trabalhei um período curto no Hospital Regional, depois saí e consegui um emprego em um banco. Neste período, eu tinha que trabalhar, mas não estava satisfeita fora da área da fisioterapia. Então consegui um emprego de meio período na Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) na função de fisioterapeuta e passei a trabalhar nos dois empregos durante onze meses. Com a mudança de diretores, saí da Apae. Depois me convidaram para voltar. Em 1983 voltei e me contrataram para trabalhar o dia inteiro. Aí sim, fui fazer aquilo que eu gostava. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Então você está na Apae há 26 anos. Como é seu trabalho?<br />Rosita -</strong> Sim, faz muito tempo que estou lá. É uma vida. Na Apae, eu fico das 7h30 às 11h30. Lido com os pacientes através da estimulação precoce junto com uma fonoaudióloga. São atendidas crianças de 0 a 4 anos, a cada 50 minutos, em grupos de cinco a seis pacientes. Ou seja, são quatro grupos e 28 crianças por manhã. Cada uma delas com problemas de saúde variados, várias síndromes e patologias. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Como funciona a estimulação precoce ?<br />Rosita -</strong> É uma parte importante para o desenvolvimento da criança. Quanto mais cedo a mãe leva o filho para tratamento, mais rápido, antes mesmo dele começar a andar, mais evolução ele pode ter. Algumas mães pensam que a fisioterapia age apenas quando a criança começa a andar, mas antes disso, desde o nascimento, a criança passa por fases de desenvolvimento em que a fisioterapia é importante, como, por exemplo, ter controle de cabeça, arrastar, engatinhar, ficar em pé e andar. Depois de andar, há várias etapas também em que a fisioterapia pode ajudar (subir e descer escadas, pular obstáculos, andar de um pé só). Desde bebê, quanto mais cedo você trabalhar com o corpo da criança, mais respostas positivas conseguirá.</p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Qual a principal faixa etária dos seus pacientes e quais tipos de doença que você mais atende?<br />Rosita -</strong> Atendo a todas as faixas etárias, mas a maior parte é formada por crianças. Entre as doenças mais comuns, estão: a síndrome de Down, mielomeningocele (medula espinhal lesada), síndrome de West (tipo raro de epilepsia), neuropatias, paralisia cerebral, entre outros. Gosto de atender qualquer tipo de pessoa.</p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Sem o acompanhamento de um fisioterapeuta, fica mais difícil o desenvolvimento deste tipo de paciente?<br />Rosita -</strong> O paciente pode não evoluir, se não há um acompanhamento desde cedo, principalmente quando é criança. Logo no nascimento, é preciso a ajuda de um especialista. Atendo casos em que a criança teve evolução ótima, mas tem que pegar desde pequeno e a família precisa ajudar muito. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Qual o papel da família nos tratamentos realizados?<br />Rosita -</strong> A família é a parte mais importante no desenvolvimento da criança. A aceitação, o amor dos familiares é o que pesa nessa hora. Tudo começa pela inclusão na família. São eles que farão com que o paciente se interesse e se esforce no tratamento que é composto por exercícios fáceis e práticos de fazer. O fisioterapeuta orienta e a família auxilia em casa. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Quais as principais qualidades de um bom fisioterapeuta?<br />Rosita -</strong> A gente tem que ter humanidade. Hoje o mundo só pensa em dinheiro. É preciso acreditar nas pessoas. Ter força de vontade e crer que os pacientes podem progredir muito bem. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Nestes 26 anos de profissão, quais foram os casos que mais te marcaram?<br />Rosita -</strong> Nossa teve tantas histórias... Posso citar um caso atual e que considero muito especial, por tudo que a criança passou, pela patologia, pelo sofrimento. Essa paciente se chama Bruna. Ela tem 1 aninho, mas a acompanho desde pequena. Ela teve meningite e os médicos diagnosticaram hemiparesia esquerda (lado do corpo afetado), mas hoje isso não existe. É surpreendente, ela está indo muito bem. Trato ela desde os dois meses de idade e hoje a Bruna já está quase andando, já fica em pé sozinha, é lindo ver a sua evolução. Pelo seu desenvolvimento e toda a história, com certeza é um dos casos mais especiais da minha carreira. Mas isso também se deve ao tratamento que começou logo, porque a mãe procurou na hora certa o atendimento. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Durante sua carreira, já aconteceu de você não ver avanços por parte dos seus pacientes? Como você age nestas horas ?<br />Rosita -</strong> O meu objetivo é melhorar a qualidade de vida do paciente. Temos que pensar no deficiente como um todo, não só na deficiência motora dele. É preciso pensar nele como um ser humano. Temos que cuidar com carinho e amor. Nunca aconteceu de não ter avanço nenhum. Há casos em que o desenvolvimento é lento, aí continuo a trabalhar com ele e pensando positivo para ajudar mais ainda. Já houve sim casos com poucos avanços. Ele pode ser pequeno, mas é significativo para mim. Um sorriso já é um sinal e já vale a pena. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Qual doença é mais difícil de ser trabalhada? <br />Rosita -</strong> A paralisia cerebral e a síndrome de Leigh (doença que ataca o sistema nervoso central). Nelas, o paciente quase não tem desenvolvimento motor nenhum. Aí com exercícios tento melhorar nem que seja a qualidade de vida do paciente.</p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Qual período médio de tratamento dos seus pacientes?<br />Rosita -</strong> Depende de cada caso. Os mais rápidos são os casos de síndrome de Down, dependendo do trabalho da família, o tratamento pode durar no máximo dois anos. Mas há casos com prazos mais longos, tem pacientes que estou tratando há quase seis anos. Por isso que tenho que ter muito amor, é uma profissão que acompanha quase todos os acontecimentos de uma família, é como se a gente fosse um parente muito próximo. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Parte dessa sua dedicação aos pacientes tem a ver com o fato de você não ter tido filhos? <br />Rosita -</strong> Sim. Não tenho filhos legítimos porque meu marido não pode ter filhos, mas considero cada um dos meus pacientes como se fosse um. Eu não quis adotar. No começo do casamento, eu queria mas depois desisti e comecei a me dedicar mais a minha profissão. Eu tenho vários sobrinhos que preenchem este espaço. Eles também são como se fossem meus filhos. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - De qual área da fisioterapia você mais gosta?<br />Rosita -</strong> Dentro da neurologia (estudo do sistema nervoso), eu gosto de tudo. A minha área engloba também a fisiorrespiratória, ortopedia, a estética, entre outros. Temos que saber um pouco de tudo. Mas eu só não trabalharia com estética. Não acho interessante trabalhar com a área da beleza. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Se não fosse fisioterapeuta, em qual profissão trabalharia? <br />Rosita -</strong> A minha vida é a fisioterapia. Eu amo o que faço. Juro para você. Eu nasci para isso. Trabalhei como bancária, mas não era feliz naquilo que fazia. Agora sou. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - O que você espera dos seus pacientes?<br />Rosita -</strong> O meu maior presente é a evolução deles. Por exemplo essa semana tive um paciente que está engatinhando, para mim é o melhor presente que podia ganhar.</p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Você já perdeu algum paciente durante o tratamento? Como você lida com isso?<br />Rosita -</strong> Sim. Nessa hora, a gente precisa saber lidar com a morte. Eu sou espírita, mas aqui eu não posso ter religião. Atendo pessoas de diferentes crenças. Fisioterapeuta não tem religião. No começo da minha carreira, não foi nada fácil lidar com a morte de pacientes. Recentemente morreu uma criança que eu tratava lá na Apae. Ele tinha síndrome de West e crise convulsiva direto. A gente fica triste demais.</p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Como foi montar seu próprio consultório?<br />Rosita -</strong> Eu não queria montar consultório de jeito nenhum, achava que não ia dar conta. Mas aí uma mãe de um paciente me convenceu. Ela foi fonoaudióloga na Apae e tinha um filho que precisava de auxílio de um fisioterapeuta. Falava que eu era a pessoa indicada para atender o filho dela. De tanto ela falar na minha cabeça, comecei atendendo ele na sala aqui de casa. Depois fui trabalhar na garagem do meu pai. Aí, peguei esse espaço na frente da minha casa há uns seis anos e transformei no meu consultório. Depois que saio da Apae, começo a trabalhar aqui. Atendo das 13 horas até as 20h30.</p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Há algum objetivo em sua carreira que você ainda não alcançou?<br />Rosita -</strong> Não. Eu nem pensava em montar consultório mas montei. Eu achava que minha vida era só trabalhar na Apae, mas percebi que dava para conciliar muito bem os dois empregos. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Como você vê o mercado de trabalho em Franca?<br />Rosita -</strong> Acho que tem lugar para todo mundo, cada um tem que saber conquistar seu espaço. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Muitos pacientes não conseguem marcar consulta com você. Sua agenda é muito cheia?<br />Rosita -</strong> É, eu tento conciliar a quantidade de tratamentos, mas às vezes a procura é muito grande e não dá para atender todo mundo. Eu falo para ficarem numa lista de espera, mas muitos pais não acreditam. Não tenho vaga atualmente. Às vezes, as pessoas podem pensar que eu estou rejeitando, mas não é isso. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Você se sente lisonjeada por essa grande procura?<br />Rosita -</strong> Me sinto. O que mais valeu nesta minha profissão foi essa vivência, esse contato direto com os pacientes e suas famílias. Cada dia que aparece mais um caso para tratar, eu cresço cada vez mais. Eu tenho que agradecer às pessoas que trato aqui. Não sou só eu que estou cuidando deles, eles também estão me dando um retorno muito maior. Isso é uma realidade. </p><div align="justify"> </div><p align="justify"><strong>Comércio - Como você vê sua carreira no futuro ?<br />Rosita -</strong> Estou quase para me aposentar. Mas não quero parar. Se parar, acho que a vida da gente para também. Temos que viver e trabalhar nem que for um pouco menos. Quanto mais eu puder ajudar as pessoas, mais serei ajudada também, por isso nunca vou me desligar totalmente da fisioterapia. </p>

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