Dezoito famílias em Franca procuram por parentes desaparecidos na cidade desde o início deste ano. São pessoas que - sem justificativa aparente - deixaram suas casas para fazer coisas corriqueiras, como ir à escola ou passear, e não mais retornaram. O desespero dessas famílias é compartilhado por outro sem número de pessoas em Franca. A polícia não divulga dados relativos aos anos anteriores, mas reconhece que tem dificuldades para resolver este tipo de caso. Com isso, a tendência é que o número aumente ano após ano.
Levantamento realizado pelo Comércio da Franca junto à Polícia Civil de Franca revelou que, somente entre janeiro e maio de 2009, 73 desaparecimentos foram registrados na cidade, sendo que 55 acabaram solucionados. Desses, a maioria foi encontrada nas 24 horas seguintes ao registro da ocorrência. Os outros 18 - cerca de um quarto do total de casos - permanecem com o paradeiro desconhecido. A polícia reconhece que, com o passar dos dias, a investigação tem menos chances de ser bem-sucedida. "Não há uma equipe específica para investigar as ocorrências de desaparecimento na cidade. Os casos são distribuídos dos Distritos Policiais e contam com o apoio da equipe da DIG", disse o delegado Márcio Murari, que aponta como causas mais comuns para os desaparecimentos o alcoolismo, problemas mentais e de relacionamento com a própria família.
<b>SOFRIMENTO</b>
A família do auxiliar de serviços gerais Joaquim Jacinto Filho, 64, há 70 dias percorre os pontos mais movimentados de Franca atrás de informações sobre seu paradeiro. O Boletim de Ocorrência foi registrado no 5º DP e a mulher do desaparecido, Maria das Dores Couto Santos, 56, disse não saber mais o que fazer. "Sei que não há muito o que a polícia possa fazer, mas a gente não perde a esperança. Já fomos a Rifaina, Pedregulho, Restinga, qualquer lugar onde dizem que ele possa estar", disse, emocionada, Maria das Dores.
Joaquim costumava andar pelas ruas do City Petrópolis, bairro onde mora. Há sete anos, sofreu uma queda e teve traumatismo craniano. O acidente, segundo a mulher, prejudicou sua saúde mental. "Como ele gostava muito de passear, dei a ele uma bicicleta. No dia seguinte, Joaquim desapareceu", lamentou.
Entre os casos mais antigos que continuam sem solução está o do estudante Benedito Limeira Turqueti. No dia 26 de setembro de 2001, ele saiu do Centro de Educação Integrada, na Cidade Nova, onde estudava, e não mais voltou para sua casa, no Jardim Portinari.
Nos meses seguintes, familiares, irmãos, cunhados, tios e primos de Benedito visitaram cidades, delegacias e hospitais da região, entregando folhetos contendo sua foto e informações básicas que pudessem ajudar a identificá-lo, mas não houve avanços.
Quase oito anos depois, nenhuma pista. Mesmo que em ritmo mais lento, a procura continua. E o sofrimento dos familiares também. "Temos muita fé de encontrá-lo vivo, mas sempre estamos atentos aos acidentes e notícias de mortes que ocorrem por toda a região", conta a enfermeira Marlet Furtado, cunhada de Benedito.
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