Escrevi há algumas semanas sobre a qualificação dos funcionários das empresas calçadistas. O assunto despertou interesse fora do comum. Acho que tratei de assunto que toca muita gente. Volto ao tema, então.
Estou acostumado a receber e-mails que, em geral, discordam das opiniões publicadas, mas desta vez a repercussão foi muito positiva a ponto de haver citações a milhas de distância, no jornal O Exclusivo, de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul.
Um dos mais interessantes e-mails recebidos foi o da leitora e conselheira do Comércio Dinamar Lacerda Domiciano, que me permito transcrever na íntegra. Dinamar trabalhou durante 15 anos como professora. Saiu, foi para a indústria de calçados e hoje, novamente, atua na área educacional. E confessa: "(...) em momento algum, como sapateira, deixei de amar o que fazia. Ficava orgulhosa de ver o resultado nos pés das pessoas, ou mesmo nas vitrines das lojas".
Vejamos mais comentários da senhora Dinamar Lacerda Domiciano:
"Concordo plenamente com seu ponto de vista, mas o que está faltando principalmente em Franca é abrir a cabeça dos donos de fábricas de calçados, para investirem mais em seu quadro de funcionários. Poderiam, como em qualquer empresa grande, dar cursos, reciclar e dar oportunidade para estudarem. Quando algum funcionário está fazendo algum curso ou faculdade o chefe já o olha de cara feia, pois tem horário para ir embora e (não pode) ficar mais tarde para `horas extras`. Ou mesmo, com medo de funcionário ficar sabendo mais do que ele e perder seu emprego".
E continua:
"Na minha opinião, se patrões investissem mais em cursos para seus funcionários, com certeza teriam seres humanos capacitados para trabalhar com uma maior satisfação pessoal, e aumentariam a sua produtividade. O que se vê em fábrica de calçados são pessoas robôs, que não sabem as palavrinhas mágicas (muito obrigado, por favor, me empresta), com raiva da vida e do mundo. Os patrões têm condições sim, de darem palestras, com incentivo e aumentando a autoestima dos seus funcionários. É tão fácil agradar o ser humano.
Comemore com eles as datas festivas, como dia das mães, pais, natal, aniversário, etc. (...) quem não gosta de ser lembrado?"
E termina o seu e-mail:
"Sei que quando trabalhamos, não importa com o que, podendo ser de simples gari a um executivo, devemos fazer com amor e gostar do que estamos fazendo. Com certeza seremos mais produtivos. Não se (pode) esquecer que somos peça importante de engrenagem do nosso trabalho".
Estas observações ganham um peso ainda maior por terem sido emitidas por uma pessoa que não faz mais parte do meio calçadista, mas dele conserva boas lembranças, ao lado da análise dos aspectos que poderiam e deveriam ser corrigidos em benefício de todos os envolvidos.
Quando comparamos o que neste sentido está sendo feito no Brasil com o plano educacional coureiro-calçadista desenvolvido desde o ano passado pela Índia, podemos ver como estamos atrasados em relação àquele país de uma pobreza proverbial, mas que conscientizado do problema toma medidas profundas e radicais para corrigi-lo. E nós?
<B>MENOS VISITAS, IGUAIS NEGÓCIOS</B>
A Feira Sapica, em Leon, México, que aconteceu entre os dias 23 e 26 de abril, transcorreu normalmente, embora o número de visitantes tenha diminuído. Faltaram os visitantes de México City e de outras partes do México, mas não houve queda do número de negócios. A maior parte dos visitantes veio com intenção de comprar maiores quantidades que no ano passado.
<B>CRESCENDO</B>
Via Uno abriu um novo showroom em Milão, Itália, com 191 metros quadrados. Agora são 84 lojas no exterior e 151 no Brasil. A empresa exporta hoje 50% da sua produção de 8 milhões de pares, principalmente para Alemanha, França, Holanda, Portugal e Espanha.
<B>DECISÃO DOLOROSA</B>
A Nike planeja reduzir sua força de trabalho de quase 35 mil funcionários em 5% ou seja, 1.750 pessoas. Devem ser dispensados uns 500 empregados na matriz, em Beaverton, Oregon, Estados Unidos. Mark Parker, presidente e CEO, disse "que a finalidade é preservar o crescimento e robustez da empresa. A decisão é dolorosa por envolver os colegas e amigos, mas todos eles serão atendidos por generosas indenizações".
<B>VENDAS AUMENTANDO</B>
As vendas no comércio interno da China estão aumentando. O comércio varejista chegou, em abril, ao vo-lume de USD $135 bilhões. No espaço de um ano as vendas nas cidades cresceram 13,9%. Os artigos de luxo e vestuário cresceram, no mesmo mês, acima de 10%.
<B>Zdenek Pracuch</B>
<I>Sapateiro, shoemaker</I>
pracuch@comerciodafranca.com.br
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