China compra quase US$ 3 mi em calçados de Franca


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<b>ANSIOSO</b> - Téti Brigagão deve viajar à China para assinar o contrato de mais de 32 mil pares
<b>ANSIOSO</b> - Téti Brigagão deve viajar à China para assinar o contrato de mais de 32 mil pares
Os calçados fabricados pela Sândalo devem percorrer distâncias mais longas a partir do mês de agosto. Acostumados a aterrissar na Europa e nos Estados Unidos, 32 mil pares de sapatos da empresa francana mudarão de curso e vão invadir a China. Se tudo der certo, o negócio será de mais de US$ 1 milhão. Outra empresa francana, a Anatomic Gel, que já havia exportado pequenas quantidades para a China, agora deve abrir uma rede de lojas naquele país, com mais de 50 mil pares. Juntas, as duas devem exportar quase US$ 3 milhões em calçados. Será a primeira exportação expressiva da história do município para o gigante asiático. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, o ano em que Franca vendeu mais calçados aos chineses foi 2007 - US$ 155 mil - comercialização realizada pela Calçados Anatomic Gel. (Leia mais na página A-5.) Pelo levantamento, ao longo dos últimos 20 anos, as exportações para a China aparecem esporadicamente e não ultrapassam US$ 15 mil. Mesmo habituados a fechar negócios com mais de 20 países e com cerca de 30% da produção voltada para a exportação, os diretores da Sândalo foram surpreendidos em setembro do ano passado com o pedido de modelos femininos de alto valor agregado - em média US$ 33, o par. "Quando vi a quantidade e o valor, quase cai de costas. É claro que fiquei desconfiado e foram dez meses de negociações para ter certeza de que o negócio era real. As garantias estão no próprio contrato: transferência imediata de 30% do total a ser pago e os outros 70% do pagamento serão através de carta de crédito de um banco de primeira linha", contou Téti Brigagão, diretor de marketing da Sândalo. A oportunidade partiu de uma grande importadora - cujo nome é mantido em sigilo por razões comerciais - da província de Hebei, no Norte do País, e chegou à Sândalo através de um agente de negócios do Rio Grande do Sul. Sem capacidade para produzir os milhares de pares no município, a empresa francana terá que contar com os serviços de uma de suas fábricas licenciadas em Jaú (SP) e outra no Estado gaúcho. Os oito modelos que serão produzidos pela empresa francano foram escolhidos pelo comprador e fogem ao estilo brasileiro. "Eles são diferentes em quase tudo. Num deles, por exemplo, é utilizado couro de coelho e o corte tem de ser artesanal", contou o empresário. Há alguns anos, a Sândalo tem toda sua produção terceirizada. As mesmas empresas que fazem os modelos masculinos vão fazer o serviço de corte e pesponto dos femininos que serão comercializados do outro lado do mundo. "Quando a primeira parte é bem feita, as chances do calçado ficar perfeito são maiores. Por isso, corte e pesponto ficam aqui. Só a montagem e o acabamento serão feitos fora. Isso porque as empresas que realizarão o serviço tem as formas ideais", explicou Téti. Na próxima semana, o calçadista embarca para Pequim onde assinará o contrato. "Eles exigiram que um de nós fosse até lá. Vou aproveitar a viagem para tentar descobrir novos clientes na China e ainda passar em Dubai, na Arábia Saudita, para visitar um grande comprador que temos por lá", contou o calçadista animado. Para o consultor calçadista Zdenek Pracuch a iniciativa de abertura do mercado chinês não deveria causar surpresa. "O que surpreende é a demora para que isso acontecesse. A China foi atingida pela recessão do mesmo modo que o resto do mundo, mas continuou crescendo em função do imenso mercado interno e da aplicação da enorme poupança em obras de infraestrutura". Segundo ele, o que deveria interessar aos calçadistas francanos na verdade é como entrar no mercado chinês. "A classe média daquele país, estimada em 200 milhões de pessoas, não para de crescer. Imaginem uma classe média igual ou mais do que toda a população brasileira! E a classe dos `novos ricos` chineses está fascinada com mercadorias do Ocidente. É uma excelente oportunidade", completou Pracuch.

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