O ‘fio’ do demo


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A Rede Globo está repassando, no horário das 6, a novela "Paraíso", de Benedito Ruy Barbosa. O personagem masculino, como não poderia deixar de ser, é um galão que faz tremer o coração das meninas. No entanto, segundo o texto, o galã é filho do demônio que, no linguajar interiorano, fica sendo o "fio" do demo. Quer nos passar a ideia que, para se conseguir qualquer coisa, é preciso aliarmo-nos ao demônio. Demônio ou Belzebu, ou capeta, ou diabo, ou coisa ruim, ou cramulhão, e outros nomes que há por aí. Quem faz par romântico com o "fio do demônio" é a "santinha", moça pura, ingênua e que realiza milagres. É a eterna luta entre o bem e o mal que, inevitavelmente, terminará com a vitória do bem. Pode-se perguntar, agora: quem é o demônio? Segundo nos informa o Espiritismo, o demônio é uma criação de Deus. Como todos nós. Ele não foi destinado ao mal. O próprio demônio que escolheu o caminho do mal para as suas atividades. Não tem poder infinito, tão grande quanto o de Deus. O poder do demônio está limitado pelas Leis Divinas. Também ele, o Belzebu, tem que obedecer às Leis que governam a criação, emanadas de Deus e visando à felicidade de Deus. Podemos dizer que é o filho transviado que resolveu descumprir as Leis amorosas do Pai. Deus não poderia proibi-lo de fazê-lo? Claro que poderia. Deus tudo pode, pois é o Supremo Poder. Então, por que Deus não fez o demônio obediente? Exatamente porque Deus respeita o sagrado dom do livre-arbítrio, segundo o qual plantamos e semeamos como queremos. Se assim não fosse, seríamos meros autômatos, bonecos comandados, a distância, pelo Criador. Ao dar-nos a liberdade pelos nossos atos, dá-nos também a correlata responsabilidade. Isto é, colhemos o que plantamos. Assim é que o demônio não foi criado demônio. Ele optou por este caminho e seguirá por ele até que lhe pareça benéfico. Seu destino não pode ser o mal eterno, porquanto seria admitir-se a perpetuidade do mal. Eterno só o amor, o belo, o bem, a perfeição. O demônio, como todos os filhos de Deus, só pode estar destinado à felicidade eterna. Mas esta felicidade não é uma dádiva de Deus. É uma conquista pessoal do espírito que muda o rumo de sua vida. Quanto tempo levará? Só Deus o sabe. No entanto, acontecerá e veremos que o demônio estará com todos os demais filhos do Altíssimo usufruindo das benesses da Criação. Felipe Salomão Bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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