Mais sobre insegurança


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A falta de autoconfiança deixa a pessoa incomodada em certas situações, das quais ela tenta fugir, mas não devia. Reza para não cruzar com aquele vizinho de cara amarrada, não encontrar no elevador aquela pessoa de ar superior que lhe observa da cabeça aos pés. Na sala de espera do consultório, fica em pé se o sofá não está totalmente desocupado. No trânsito, deixa de estacionar porque tem gente atrás querendo passar. Escreveu um texto que queria ver publicado no jornal, mas não envia com receio de não gostarem, etc. Você é assim? Não seja. Não deixe de dizer `bom dia` por medo de não receber resposta. Faça a sua parte. Se se sente observado, fique na sua. Por que as pessoas são tão inseguras? Medo, creio eu, do julgamento alheio, medo de fazer feio. Mas, afinal, qual a razão de tanto medo? Se tem um lugar no sofá de espera, sente-se, converse com quem está do lado. Se é preciso manobrar o carro para entrar na vaga, faça-o. A insegurança limita a ação e acaba impedindo uma melhor integração da pessoa com tudo que a cerca; muitas vezes esconde talentos, faz perder oportunidades. Aquele texto que não foi enviado talvez seja algo que muita gente gostaria de ler. Muitas pessoas têm qualidades suficientes para serem seguras de si, mas não são. A causa, sem dúvida, é psicológica. É claro que, em se tratando de coisas que só se aprendem com o passar dos anos, não se há de exigir que um adolescente tenha a estrutura emocional de um adulto. Tudo a seu tempo. Não dá pra dizer que exista alguém totalmente seguro de si o tempo todo. Embora certos fatos estejam dentro do nosso campo de previsibilidade, ninguém está preparado para tudo que pode ocorrer. A insegurança reduz a capacidade porque faz as coisas parecerem mais difíceis do que são. Algo que se faz naturalmente acaba ficando complicado se alguém está observando. Isso é muito comum com quem presta os exames práticos para a obtenção da carteira de motorista. É preciso sentir-se à vontade. Muita coisa de que a gente vive fugindo, depois de fazer percebe que não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Um quê de realismo é necessário. Nada de iludir-se pensando que não possui deficiências. Todos têm. Conhecer os pontos fracos é bom, não para ficar se lamentando, invejando aquele que parece ter nascido virado pra Lua, e sim para melhorá-los. Em certas horas, não se enganem, a pessoa só vai sentir-se segura se estiver preparada. Numa sustentação oral perante uma banca examinadora, numa tribuna, numa ocasião em que é necessário discorrer sobre assuntos específicos, não adianta fazer pose, jogar aquele olhar 43 e soltar aquele sorriso colgate... e achar que é suficiente. Sem o conhecimento do assunto, dançou. Uma coisa é ser seguro de si, outra é ser cara-de-pau. A nobreza de propósitos, a honestidade, a bondade são qualidades que pesam muito a favor da pessoa para deixá-la segura de si. Quem não tem do que se envergonhar, não se oculta atrás de mentiras, não tem ilegalidades e imoralidades a esconder, não precisa ficar inseguro. Interessante é que para certas coisas sobra segurança, para outras... O rapaz às vezes enfrenta uma turma inteira no braço, mas na hora de dizer àquela garota que é fascinado por ela, a voz trava, treme a mão. Ah, insegurança duma figa! Mas... liga não. Aquele friozinho na barriga sempre dá. É manter a calma, dar um chega pra lá no nervosismo que pinta na hora h e, simplesmente, abrir o coração. Paulo Pereira da Costa Promotor de Justiça e autor do livro "Pensando na Vida"

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