De um lado, violinos, cellos, contrabaixos e um repertório erudito. Do outro, violão, bandolim, acordeom e o romantismo das serestas. Será que essa "mistura" dá certo? O maestro da OSF (Orquestra Sinfônica de Franca), Nazir Bittar, acredita que sim e vai ainda mais longe: quer retomar as tradições francanas e promover concertos temáticos na cidade. A primeira parceria é com o grupo Seresta e Cia. e o encontro inédito será hoje e amanhã, às 21 horas, no Teatro Municipal. A entrada é gratuita e os convites podem ser trocados por agasalhos, no local, antes do espetáculo.
Nazir conta que a ideia do concerto surgiu de forma inesperada. "Eu estava ouvindo um CD com compositores diversos e uma sequência trouxe uma serenata de Mozart, uma de Tchaikowsky e de Schubert. Tive a ideia, pensando no meu compromisso pessoal de retomar tradições francanas e fazer concertos temáticos sobre elas. Me veio na memória o fato de Franca ter tido uma tradição forte de serestas", explica. "Lembro que meu pai tinha discos gravados e ele mesmo era um excelente cantor e nos embalava sempre com músicas de Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Francisco Petrônio... Ele e minha mãe sempre que podiam iam ao `Baile da Saudade` para dançar", recorda.
Ao receberem o convite, os seresteiros Jatir Costa e Armando Papacídero, se entusiasmaram, mas ao mesmo tempo tentaram imaginar como seria possível essa "fusão" entre a OSF e a Seresta e Cia., grupo formado há cinco anos com o objetivo de resgatar a seresta no município. "A música da seresta nos transporta para outro universo, só de coisas boas. É um romantismo profundo de um tempo que não volta mais", exclama Armando. "As serestas são versáteis, podem passar pelo samba, forró e chorinho, e têm histórias bonitas. A mulher, por exemplo, é cultuada com dignidade e respeito", afirma Jatir.
Encantamento é a melhor palavra para definir o sentimento destes músicos ao falar sobre a seresta, que na década de 1960 reunia os jovens francanos no Salão Rosa do Hotel Francano para uma "diversão sadia, delicada, bonita, com glamour e respeito". "Hoje não se ouve nada, só barulho. As músicas não têm conteúdo", reclamam. "Mas a moçada não tem culpa por não conhecer as serestas. Este concerto é uma grande oportunidade e vai dar uma `sacudida` na área cultural e musical de Franca."
A sintonia entre o maestro e os se-resteiros foi perfeita. O repertório foi afinado em apenas dois ensaios, realizados na capela do Colégio Champagnat.
<b>REPERTÓRIO</b>
O concerto da OSF e da Seresta e Cia. será dividido em duas partes. A primeira será basicamente com serenatas eruditas de Rossini, Mozart, Dvorak e Schubert. "O ponto alto da apresentação será o arranjo de Cyro Pereira de cinco valsas paulistas, entre elas Branca, Saudades de Matão, Tardes em Lindoia, com a participação de Fernando Bachur, Fernando Diniz, Claudio Silveira, Bruno Mendes e Priscila Cubero", revela Nazir Bittar.
Na segunda parte entram em cena os seresteiros Armando Papacídero (bandolim), José Carlos Faleiros (violão sete cordas), Benedito Miranda (violão), Eurípedes Barbosa e Nelson Nascimento (acordeom), Hamilton Marim e Ricardo Perente (percussão), Tiãozinho (cantor) e Jatir Costa (declamador).
Com a participação especial da professora e cantora Marly Chacon, o repertório traz as canções No Pé da Serra, Ontem ao Luar e Ave Maria. Prece ao Vento será apresentada com o Coro Sinfônico, sob a regência de Gladys Pádua.
A última música promete emocionar o público. Solistas, coro e seresteiros se unem para cantar a valsa francana Terra dos Meus Sonhos. "Tem uma surpresa maravilhosa no palco, mas isso eu não vou revelar", empolga Nazir.
O Teatro Municipal tem capacidade para 450 pessoas. Os agasalhos arrecadados serão repassados ao Fundo Social de Solidariedade.
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