Bastou que as primeiras pepitas de ouro escuras, recobertas pelo óxido de ferro das montanhas - daí o nome Ouro Preto -chegassem ao Rio de Janeiro e ao conhecimento das autoridades portuguesas no Brasil para que a cobiça contaminasse até mesmo a Igreja do outro lado do Atlântico. Parte dessa introdução serve para explicar a grande quantidade de igrejas em Ouro Preto, a exemplo do que é verificado em todas as cidades históricas mineiras.
Assim que os olhos da Igreja cresceram diante da iminência da extração de tanto ouro e diamantes, o governo português logo tratou de proibir a instalação de ordens religiosas de qualquer tipo na região. A explicação é tão simples quanto óbvia: não queria ninguém para dividir as riquezas e a autoridade. Portanto, padres e bispos nem pensar.
A partir daí, foram congregações e irmandades autônomas que ergueram suas igrejas em Ouro Preto. A cada construção feita, outra surgia ainda mais rica e mais no alto, para que fosse vista e para que mostrasse o poder econômico de quem a havia erguido. Em seu interior, apenas os membros das congregações eram enterrados.
Apenas em Ouro Preto são 42 templos. Nem todos são abertos ao público e alguns só recebem turistas com agendamento prévio. Em quase todos é proibido fotografias e filmagens.
Você entenderá os motivos ao visitá-las. Não precisa ser devoto de São Francisco de Assis, de Nossa Senhora do Pilar ou do Rosário para ficar horas admirando de queixo caído o interior dessas igrejas. As três são apenas uma parte do rico patrimônio artístico barroco que o visitante irá encontrar.
Na Igreja do Pilar, considerada a mais rica de Ouro Preto, perto de 500 quilos de ouro estariam incrustados nos altares, nas paredes e nas imagens sacras. Inaugurada em 1733, abriga o Museu de Arte Sacra. Deve ser visitada.
Construída entre 1731 e 1733, a igreja de Nossa Senhora do Rosário foi levantada por escravos e só eles podiam entrar nas celebrações. Tem um curioso formato oval. Já a Igreja de São Francisco de Assis é um desses monumentos cujos detalhes enriquecem e emocionam. Erguida em 1766 pela Ordem Terceira, é uma obra-prima de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, responsável pelo projeto e pelas esculturas na porta.
Ao visitá-la, não se acanhe e deite no chão sobre as largas tábuas do assoalho que tampam antigas sepulturas dos integrantes da irmandade, enterrados dentro da igreja como mandava a tradição. Não se assuste porque os corpos foram retirados de lá.
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Ao deitar, contemple o teto da igreja pintado por Manuel da Costa Ataíde, o Mestre Ataíde. Durante 10 anos ele pintou seus anjos, arcanjos e Nossa Senhora negros, sobre rústicos andaimes, arqueado. O resultado é indescritível. Contemplá-la por alguns minutos é uma experiência única.
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