Um acidente de moto em setembro do ano passado e o risco de ficar paraplégico criou uma obrigação de vida ao professor de biologia e lutador de taekowndo, Luiz Sérgio Monteiro Câmara, 42. Ele passou a viver para provar que a arte marcial tinha sido capaz de prepará-lo para o pior. Mesmo contrariando previsões médicas, ele se recuperou de uma lesão lombar e ligamento em três vértebras da coluna e em três meses começou a competir.
O fruto desta determinação: pela primeira vez em um circuito de competições, Luiz Sérgio se classificou para o Campeonato Brasileiro da modalidade na categoria master ou lutadores com idade acima de 33 anos. O professor venceu três etapas do Campeonato Paulista neste ano e garantiu a vaga para a disputa nacional em Porto Alegre (RS), que acontecerá entre 12 e 14 deste mês, no Ginásio Gigantinho, complexo do Beira-Rio. "Exatamente porque fiz arte marcial toda minha vida, acreditava que minha recuperação seria boa. Decidi competir para mostrar isso. Antes, eu dedicava muito mais ao ensino do taekowndo e passei a competir depois do acidente", contou o professor.
Luiz Sérgio é natural de Santos e está há nove anos em Franca. Como já treinava em sua cidade natal, logo que chegou por aqui encontrou o mestre de taekowndo, faixa preta e 4º dan, Valdir Ribeiro Malta. A amizade foi natural. Hoje, ambos estão classificados para o Brasileiro. O mestre e também técnico da equipe francana da modalidade disputará na categoria de 45 a 49 anos. "O Luiz Sérgio é muito focado e viramos amigos por causa da luta. Hoje ele dá aula em academias e fazemos até um intercâmbio com os atletas dele defendendo a equipe de representação de Franca", disse Valdir.
A forma como encarou seus problemas físicos transformou a relação de Luiz Sérgio com seus alunos da rede de ensino - ele é professor de biologia. Tanto é que ainda sem o dinheiro para a viagem ao Sul do País, um grupo de estudantes do Colégio Jesus Maria José e Objetivo decidiu ajudá-lo. Hoje, vão fazer "pedágio" na Avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso, às 14 horas, em frente à Casa Única, para tentar arrecadar recursos. A esperança é que a verba, junto com seu salário de professor, permita viajar e competir. "Os alunos decidiram ajudar e não escondo que aceitei sim", disse o lutador.
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