Dentre os países procurados por brasileiros que almejam fazer um intercâmbio no exterior, o Canadá é um dos mais populares. Anualmente o Consulado Geral do País contabiliza mais de 90 mil pessoas de todo o mundo entrando em território canadense, atraídas pelos altos índices de desenvolvimento humano, qualidade de vida e enriquecimento cultural.
Em linhas gerais, para quem não tem nenhum tipo de vínculo com o Canadá, existem duas maneiras de morar legalmente no país. São os programas de imigração, que permitem visto de trabalho e cidadania permanente, e os intercâmbios voltados para realização de cursos de idiomas, que autorizam os estudantes a desempenharem atividades remuneradas por períodos restritos.
Para quem realmente deseja construir uma vida fora do Brasil ou passar mais de um ano no exterior, a primeira opção é ideal. Por conta das taxas de natalidade não acompanharem o desenvolvimento econômico, o Canadá tem demanda profissional em várias áreas, especialmente nas relacionadas à ciência e tecnologia. As remunerações médias começam em US$ 10 a hora. Somente em Quebéc, maior província canadense cuja língua oficial é o francês e renda per capita anual é de cerca de R$ 50 mil, registra-se a presença de mais de três mil brasileiros.
O imigrante contemplado, após um ano de seleção e ajustes burocráticos, passa a ter autorização plena de trabalho e todo o suporte do governo para recrutamento e adaptação. Alguns requisitos são exigidos como domínio da língua local, facilidade de adaptação, formação no segmento de atuação e uma reserva em dinheiro de pelo menos R$ 6 mil.
Tudo começa no site oficial do governo canadense (www.canadainternational.gc.ca/brazil-bresil), onde o candidato se informa sobre todos os procedimentos e dá entrada em sua inscrição. O processo seletivo inclui entrevistas em francês ou inglês, dependendo da região. Através do portal é possível também testar quais são as chances de contratação, já que o processo de imigração não garante vaga.
Profissionais de até 35 anos, com formação técnica ou superior em áreas de tecnologia da informação e engenharias e francês na ponta da língua, têm mais chances de colocação, segundo Leandro Luize, da Scritta, responsável pela assessoria de comunicação de Quebéc no Brasil. “As chances por lá são promissoras. Há um mercado em crescimento, além da qualidade de vida, da segurança e, após três anos, da possibilidade de solicitar a cidadania canadense”, afirma, acrescentando que os benefícios de um trabalhador no Canadá são amplos, incluindo seguro de saúde, 14 salários por ano, licença maternidade de até um ano, etc. Leandro Luize recomenda ficar atento ao agendamento de palestras gratuitas da Embaixada em São Paulo e Campinas.
<b>OPORTUNIDADE E SORTE</b>
Após viver quatro anos no Canadá, a professora Juliana Costa Freitas, 29, recomenda a experiência. Em 2001, após formar-se em Letras, ela viajou para lá com um visto de turista. Tinha apenas como certa a realização de um curso de inglês na Ilac, em Toronto. O investimento inicial foi de R$ 5 mil, incluindo hospedagem em casa de família e curso, fora os cerca de R$ 10 mil de reserva para os meses seguintes e que acabaram não sendo necessários.
Ainda sem autorização para trabalhar, Juliana ocupou logo na primeira semana uma vaga de empacotadeira em uma empresa importadora de frutas, por indicação de um brasileiro. Três meses depois, ela conseguiu uma autorização temporária do governo para trabalhar. Após fazer um curso intensivo de inglês de seis meses, foi contratada como supervisora, com um salário de 400 dólares por semana - dinheiro suficiente para poupar e manter suas despesas mensais. “Tem gente que chega ao Canadá em um dia e no outro já está empregado. Setores de limpeza e construção precisam de mão-de-obra”, disse.
Dois anos e meio depois, ela foi recrutada como coordenadora de logística em outra instituição, onde ficou por mais um ano. A experiência de Juliana ainda é complementada por um curso de pós-graduação. Para mim foi uma experiência maravilhosa. Aprendi muito. Toronto representa o mundo todo dentro de uma única cidade”, relata.
<b>STUDY AND WORK</b>
Além do programa de imigração, a possibilidade legal de passar uma temporada no Canadá é através dos programas de intercâmbio. Ao matricular-se em um curso de inglês de curta duração em escolas internacionais como a Ilac, presente em Vancouver e Toronto, você tem uma autorização temporária para trabalhar legalmente. Os programas de estudo e trabalho podem durar de 6 a 12 meses, mas nem sempre garantem o “pé-de-meia”.
“As oportunidades de trabalho normalmente são dadas para estudantes cadastrados em programas específicos, como na área de entretenimento, hotéis e restaurantes. Esses empregos apenas servem como ajuda de custo para eles”, afirma Laura Maria Brasil, consultora da Experimento de Ribeirão Preto.
O investimento inicial é de, em média, R$ 12 mil, com um curso de inglês de três meses, incluindo a hospedagem em casa de família (R$ 10,5 mil) mais as passagens aéreas de ida e volta, a partir de R$ 1,5 mil pela American Airlines.
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