O agronegócio foi o maior gerador de emprego da região administrativa de Franca no mês passado. Das quase 4,6 mil vagas de trabalho criadas com carteira assinada em abril, mais da metade (3.166) é referente ao começo da safra do café e à indústria da cana. Os dados fazem parte do levantamento do Observatório do Emprego e Trabalho do Estado de São Paulo, com dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego). O volume de vagas abertas colocou a região como a quinta maior geradora de empregos no Estado em abril.
Igarapava e Morro Agudo são as cidades com maior abertura de vagas nesta área. A região administrativa de Franca conta com 21 municípios.
Pelo levantamento do Observatório, o setor que compreende as atividades da agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foi o maior gerador de emprego em todo o Estado, com mais de 19 mil vagas abertas em abril. Em segundo lugar, aparece a indústria de transformação, com quase 16 mil vagas. Na região, como a maioria das cidades tem menos de 25 mil habitantes, a agricultura é muitas vezes a única geradora de trabalho nesta época do ano. Ela liderou sozinha a criação de empregos em cidades como Pedregulho, Jeriquara e Patrocínio Paulista.
No caso de Igarapava e Morro Agudo, por possuírem grandes usinas produtoras de açúcar e álcool, a liderança ficou a cargo da indústria da cana. As duas cidades contrataram juntas 2.021 trabalhadores para a safra iniciada no final de março.
Gerente regional do Ministério do Trabalho em Franca, Jamil Leonard, disse que esse comportamento é comum nesta época e ganha destaque pelo fato das cidades da região não possuírem indústrias de relevância. “A atividade rural contrata mais por ser predominante e fazer parte da característica da época. São empregos sazonais”.
Leonard não tem números que comprovem se o movimento neste ano está maior ou menor que no mesmo período do ano anterior, mas diz que a procura por emissão de carteiras de trabalho voltadas para a contratação no campo tem sido constante. “Muita gente chega para tirar a carteira e fala que é para trabalhar no campo. A maioria é migrante que não tem o documento ou esqueceu no Estado de origem”, disse o gerente.
A assessoria de imprensa do Observatório do Emprego também não tem dados referentes ao ano de 2008.
CONTRATANTES
O produtor rural Leonel Stefani, de Ribeirão Corrente, é um dos contratantes do setor. Ele admitiu recentemente 15 ajudantes para a colheita de café em sua fazenda. “Eles já foram chamados, só falta a papelada da contratação. Na segunda-feira espero que tudo esteja pronto para que possam começar a trabalhar”. A previsão é que os catadores de café fiquem empregados por um período de até três meses.
Em Pedregulho, a expectativa do presidente do Sindicato Rural da cidade, Ely Martins Vieira Brentini, é que a safra gere 6 mil postos de trabalho nas fazendas locais.
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