Lendo a entrevista do Sr. Heitor de Lima, no caderno "Expoagro" deste Comércio, no dia 27. Senti a necessidade de despolitizar consideração do entrevistado sobre o caráter do evento nos anos do governo Gilmar Dominici.
Ele afirma que quando o Gilmar assumiu a Prefeitura, “...deu outro enfoque para a Expoagro, dando mais valor à parte festiva do que à técnica. Isso fez com que a parte técnica sofresse uma queda muito grande”. Fiquei surpreso. Recordo-me que após a realização da primeira edição do evento, em 1997, o Sr. Heitor de Lima foi um dos primeiros a me cumprimentar pelo sucesso e pelas mudanças que havíamos feito, para melhor justamente na parte técnica.
A Expoagro sempre foi um evento organizado com verbas públicas, pelos criadores de gado, com ênfase para a Aproleite, que sempre teve na sua direção, entre outros, o próprio Sr. Heitor de Lima.
Logo que assumi, como Secretário Municipal, a organização da Expoagro, fui buscar a orientação de diversos setores ligados ao agronegócio, querendo acertar e reerguer uma feira que enfrentava decadência em anos recentes. Era essa, no geral, a opinião de tantos quantos ouvi.
Tínhamos entendido que a Prefeitura deveria reassumir a realização do evento para dinamizá-lo e reestabelecer sua devida importância enquanto evento técnico e cultural para Franca e região. Assim o fizemos. A grande reclamação que existia era justamente a falta de profissionalismo e de caráter técnico mais amplo. Como era terceirizada para a Aproleite, diversas associações de criadores reclamavam de falta de espaço para suas participações. Democratizamos o evento e lá abrimos espaços para as restantes associações e suas criações.
Voltaram a fazer parte da Expoagro animais que não tinham sua importância reconhecida, caso dos ovinos e gado simental. Minha preocupação com a parte técnica era tanta que chamei para a organização do evento, nos anos seguintes, entidades que até então nunca haviam sido convidadas: Sebrae, Cocapec, Núcleo do Limousin e Nucleárabe, Associação do Mangalarga, Colégio Agrícola, CATI, Conselho Regional de Desenvolvimento Rural, Sindicatos Rurais de Franca e de Patrocínio Paulista, Clubes Hípicos e a Ascovarg.
Outra decisão nossa que causou impacto (e incomodou antigos organizadores) foi ter transformado a Expoagro em grande evento cultural regional. Quando colocamos o ingresso a apenas R$ 2 – redução de 60% no valor cobrado em 1996, último ano do governo Ary Balieiro – e realizamos consulta popular para escalar os shows, tornamos o evento em algo também festivo para a população. Com as mudanças que efetivamos, melhoramos a representação e a qualidade técnica do evento e o tornamos grande festa regional.
Números e dados estão à disposição de quem interessar (se bem que também ficaram registrados nos computadores da prefeitura) para que sejam analisados e comparados com as edições anteriores e posteriores ao governo Gilmar.
Finalizando, quero parabenizar o Sr. Prefeito pela correta decisão em manter - a terceirização da feira, formato por nós estabelecido. Também, por manter a logomarca que criamos, provas que fizemos certo. E o que é certo, não tem que ser mudado.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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