José Carlos não tinha passagens anteriores pela polícia. Ele trabalhava à época com a mulher em uma banca de pesponto no Jardim Brasilândia. GVP estava grávida do quinto filho do casal quando o marido foi assassinado. O curto espaço de tempo entre a prisão e a morte - cinco horas - impediu que a mulher pudesse vê-lo na cadeia. "O dia já estava amanhecendo quando fiquei sabendo que ele havia sido preso. Tive de contratar um advogado para poder visitá-lo. Quando cheguei lá, o guarda disse que ele havia sido esfaqueado".
Sete anos após a morte do marido, a sapateira ainda não encontrou explicações para o assassinato. "Dizem que havia uma rixa, mas não sei os motivos. O preso fala o que ele quer. O José Carlos não está mais aqui para falar a verdade". GVP não acredita que a vítima vendesse drogas. "Acho que houve uma armação para que ele fosse morto. Se ele fosse traficante, eu estava bem. O que a gente ganhava mal dava para as despesas de casa. Ele não deixou nada para mim e tive que contar com muita ajuda para criar nossos filhos".
Para a mulher, mesmo que José Carlos tivesse culpa, sua integridade física deveria ter sido preservada dentro da cadeia. "O Estado deveria ter dado segurança para ele. Meu marido caiu lá de gaiato, não conhecia cadeia e não sabia como era". GVP disse que pretende usar o dinheiro da indenização para criar os filhos. "Graças a Deus, a Justiça foi feita. Passei os últimos sete anos com cinco filhos e sem nenhuma pensão. O aperto foi grande e todo mundo ajudando. Agora será melhor para sustentá-los".
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