Reunião, seminário e (ainda mais chique um pouco) fórum, na maioria das vezes, são encontros para muito falatório. De concreto mesmo, após os longos e enfadonhos discursos ou apartes, fica um quase nada de prático. A intenção inicial de buscar solução para problemas intrincados acaba não acontecendo. Será que o Fórum de Segurança Pública Urbana e Rural, realizado recentemente em Cristais Paulista, trará algum resultado para a amedrontada população?
Pelo visto, não se deve esperar muito. A começar pela adesão ao encontro. De 30 prefeitos da Alta Mogiana convidados, somente compareceram 10. Se o maior representante de uma cidade não se lixa pela proteção da coletividade, quem vai se interessar pelo assunto?
A competência pela proteção do cidadão cabe à Secretaria de Segurança Pública do Estado, mas o prefeito pode ter influência. Basta querer. Por outro lado, organizar um evento dividindo a segurança entre urbana e rural, soa estranho. Antigamente, cidadão era quem nascia na cidade e camponês, no campo. Hoje, não há mais separação. De resto, o cidadão tem pouca proteção.
A política de proteger a população deve ser uniforme. Não importa a região, seja urbana ou rural, necessita-se da mesma presteza de atendimento. Quem deveria dar proteção à população, de um momento para o outro, inverte tudo e acaba exercendo a atividade truculentamente, deixando o pacato cidadão, mais inseguro.
A Polícia Militar ou Civil tem uma corporação heterogênea, como toda categoria profissional mas, no meio da segurança pública, os integrantes costumam não separar o cidadão comum do marginal. Correntemente tratam a todos como delinquentes. Alguns policiais se esquecem de que são funcionários públicos. Recebem salário exatamente para proteger a população e prestar bom atendimento. Não são pagos para maltratar a coletividade.
A truculência policial se faz presente nas ruas, na cadeia, nas companhias, nas delegacias ou nos distritos de atendimento. Ninguém espera cortesia ou sorrisos de agentes da segurança pública. Mas também não quer aguardar para ser atendido, vendo a má vontade estampada no rosto do funcionário e depois ainda ser tratado com falta de educação. Isso quando a autoridade não chega aos gritos e berros para cima do inseguro cidadão. Claro, há exceções. Mas são poucas.
Uma das funções básicas da polícia é manter a ordem, segundo os regulamentos ou leis. Que utopia! Pois, na maior parte das vezes, o policial não age de forma preventiva. Quase sempre se coloca em posição estratégica para flagrar e prender. Ou então, numa atitude muito cômoda, se posta para abordar motociclistas ou motoristas. Por que será que gosta tanto de checar a documentação?
No entanto, ciclista na contramão ou pedestre no meio da rua nunca recebe abordagem policial. Viatura nenhuma para (verbo parar, essa Reforma Ortográfica...) para alertar e instruir esse usuário do espaço público do alto risco que corre em não seguir o Código Brasileiro de Trânsito.
Tirando o setor de socorro emergencial, a segurança é um serviço público cheio de má vontade no atendimento. Sugestão ou reclamação tem resposta burocrática. Se querem melhorar a proteção é só abrir o fórum à população, principalmente a rural.
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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