Com 5.345 obras catalogadas até agora, num trabalho realizado pelo filho, João Cândido, há peças, painéis, quadros e desenhos de Portinari espalhados pelo Brasil e em outros 16 países, grande parte nas mãos de colecionadores particulares, a exemplo da família Maksoud, de São Paulo, de onde, no dia 10 de maio, ladrões roubaram duas telas do pintor: Retrato de Maria e O Cangaceiro, mais tarde recuperados pela polícia.
Tamanha produção começou cedo, mas foi aos 32 anos que Cândido Portinari alcançou reconhecimento internacional com sua obra até hoje mais conhecida: o quadro Café, exposto no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Na região, Batatais concentra grande quantidade de painéis e quadros, como acervo da igreja Bom Jesus da Cana Verde, que, infelizmente, vem sofrendo com o descaso em sua manutenção.
Para o turista que for a Brodowski, é indispensável conhecer a igreja de Santo Antônio, construída em 1905, localizada em frente ao museu, na bela pracinha batizada com o nome do pintor. Nela, encontra-se exposta a imagem de Santo Antônio, pintada por Portinari como cumprimento de uma promessa feita pela recuperação da saúde de seu filho, João Cândido.
A igreja explica a construção de outra obra, dentro do imóvel. Quando a avó do pintor já não conseguia mais caminhar, pela idade avançada, e parou de ir às missas, Portinari mandou construir uma capela no quintal da residência, onde fez pinturas admiradas por todos que frequentam o local.
Além da faceta artística de Portinari, o museu ainda retrata seu lado poeta, expondo poesias completas escritas por ele em diversas fases de sua vida. “Quanta coisa eu contaria se pudesse e se soubesse ao menos uma língua, como a cor”, diria ele num de seus escritos.
Também a política, outro traço importante de Portinari, é abordada. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), ele se lança candidato a deputado federal, assim como Jorge Amado e Caio Prado Júnior. Nesse pleito, o PCB elege senador Luiz Carlos Prestes. Portinari não é eleito. Em 1947, torna a disputar um cargo eletivo, desta vez para o Senado, também perdendo. Perseguido pelo governo e várias vezes interrogado, decide exilar-se no Uruguai.
Quando questionado sobre sua militância política, dizia: “Não pretendo entender de política. Minhas convicções, que são fundas, cheguei a elas por força da minha infância pobre, de minha vida de trabalho e luta, e porque sou um artista. Tenho pena dos que sofrem, e gostaria de ajudar a remediar a injustiça social existente. Qualquer artista consciente sente o mesmo”.
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Candido Portinari morreu no dia 6 de fevereiro de 1962, às vésperas de participar de uma exposição em sua homenagem promovida pela prefeitura de Milão, na Itália, na qual seriam expostas perto de 200 obras. No cortejo de seu enterro, Luiz Carlos Prestes e Carlos Lacerda, inimigos viscerais, carregaram seu caixão. O traslado do corpo de Portinari para Brodowski é uma reivindicação antiga da cidade e um assunto que a família estuda.
No próximo fim-de-semana, aproveite o céu e o sol de inverno, dê uma esticada até Brodowski e entre no mundo que Portinari criou.
Serviço: Museu Casa de Portinari: Praça Cândido Portinari, 298 - Brodowski. Telefone: (16) 3664-4284. Horário de funcionamento: das 9 às 17 horas, de terça-feira a domingo. Entrada franca. Acesse: www.casadeportinari.com.br.
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