Por todos os cantos que se olhe as experimentações de Cândido Portinari estão presentes na casa onde a família morou, em Brodowski, até sua transformação em museu, no início da década de 1970. Logo que se transpõe a porta da entrada principal, a imagem de São Jorge Guerreiro em seu dragão dá as boas vindas aos visitantes.
Assim como ela, 40 desenhos e 43 pinturas estão dispostas pelo interior do imóvel, indicando que era ali que o jovem Portinari treinava suas técnicas de afrescos (pigmentos de tinta aplicados sobre o reboco ainda molhado) e têmpera, quando a gema de ovo é adicionada à tinta desempenhando a função de aglutinadora.
São, majoritariamente, de inspiração religiosa, característica que se repete no amplo jardim que circunda a casa, onde a palavra Dio (Deus, em italiano) aparece em forma de ornamento.
Imagens e cenários reais de uma casa de imigrantes pobres italianos, que vieram para ocupar seu lugar quando a região ainda era completamente dominada pelo café. Seja na ampla sala, na cozinha, no quarto do pintor ou em seu ateliê, a visita vale principalmente para se compreender o cotidiano de uma personalidade que influenciou as artes plásticas no Brasil, contemporâneo de grandes artistas, político perseguido pelo governo e uma alma inquieta.
Portinari morreu no Rio de Janeiro em 1962, vítima de sua arte. Teria sido a contaminação por chumbo, elemento presente na fórmula de suas tintas, a responsável por sua morte. Apesar da distância da sua Brodowski, nome herdado do engenheiro polonês Alexander Brodowsk, responsável pela construção da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, Portinari nunca se desligou da cidade. Desde que os pais Batista Portinari e Domênica Torquato mudaram-se para lá, no início do século passado, o endereço da família de 12 filhos é o mesmo. A história pessoal está ligada de forma umbilical à sua produção artística.
Formada pelo imóvel principal, dois anexos e uma capela, a área do museu é tida como de pequeno porte. Em sua concepção, a Secretaria de Cultura do Estado, mantenedora do lugar, dividiu o espaço entre biografia e arte.
Desta forma, quem for visitá-la encontrará o quarto de Portinari com seus pertences dentro do antigo guarda-roupas. Estão lá sapatos, óculos, os cachimbos que o acompanham em praticamente todos os retratos ou fotografias que se conhece. Na sala onde a família se reunia, uma grande mesa com seu jogo de cadeiras acolhe quem chega. É nesta sala que, através de recursos de multimídia, as pessoas ouvem histórias relacionadas à mãe, ao pai e aos irmãos, todos representados em um imenso painel fotográfico preso à parede.
A incursão continua pelos outros cômodos da casa. Na cozinha, o velho moedor de café está no mesmo lugar há décadas. O fogão à lenha exibe uma panela com polenta que, de forma figurativa, deixa clara a preferência alimentar da família. Outros equipamentos, como a cafeteira elétrica, comprada por Portinari por ocasião de suas viagens ao exterior, fazem parte do acervo, assim como o chuveiro elétrico no grande banheiro, tido como um luxo impensável para a maioria das pessoas em meados do século passado.
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Era Cândido Portinari quem decidia e bancava as várias ampliações que a casa sofreu, sempre para aumentar o conforto dos familiares e, basicamente, propiciadas com o dinheiro que o artista começava a ganhar em exposições e com a venda de suas obras.
Em 2000, um projeto de acessibilidade foi desenvolvido, sendo pioneiro entre os museus brasileiros. Praticamente tudo o que está exposto em tamanho real encontra sua representação em miniatura, para que pessoas com deficiência visual consigam entender a dimensão do que é encontrado ali.
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