A difícil busca da paz


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Tive, semana passada, um começo de domingo ruim. Começou com a derrota da Francana, pela manhã. Na sequência, a derrota do basquete, o que me fez perder o apetite pelo almoço. Pensei que o período da tarde pudesse fazer diferença, para melhor. Mas continuou sem graça e sem gosto, face ao empate dos "bambis" e do "peixe". A derrota dos "porcos" me fez pensar que nem tudo estava perdido, ainda. Meu Timão jogaria um pouco mais tarde e iria vencer bem o "Fogão". Mas não. Só empatou, perdendo um monte de gols. O “Fenômeno” deixou de fazer pelo menos três que até minha querida e falecida sogra faria com um pé nas costas. Decididamente não foi um bom domingo. Chateado, sono perdido, passei a bisbilhotar os programas domingueiros da televisão. Ai começou novo calvário. Faustão, Gugu, Raul Gil, Silvio Santos e outros, desconhecidos, todos com platéias falsamente ensandecidas e histéricas, regidas por funcionários das redes como a um maestro de orquestra: aplaudam, vaiem, façam, desfaçam... Mal estar aumentando, busquei um canal de notícias. Fiquei horrorizado. Guerras, assassinatos, desabamentos, inundações, corrupção no governo e entre os políticos, briga de juízes, tráfico de drogas, estupro de crianças, guerra de traficantes, assaltos, tromba d`água lá em cima no mapa, seca cá em baixo. Quem sabe os filmes? Aqueles do Mazzaropi, quem sabe? Nada! Tudo desligado, meia luz no quarto, liguei o radinho de pilhas e fui assaltado por músicas de parque, daquelas que a mãe mata o pai e janta o cachorro do filho. Não tinha mais saída. Apaguei tudo e “garrei a imaginar”. Todos vivem buscando desesperadamente a paz tanto espiritual como a material, em suas vidas pessoal, familiar e profissional. A partir do momento em que abrimos a porta de nossa casa para a rua, começa o inferno. Raras são as vezes em que tudo está ou sai perfeito. Parece que junto com a gente ou dentro da nossa cabeça, esta “a mala pesada” do dia-a-dia que atormenta até que ocorra um encontro com bom amigo ou aconteça o bom bate-papo ou que uma tarefa agradável apareça e devolva à gente, a alegria de viver. Sinto, sem querer me fazer de garoto propaganda que, quando estou na igreja, missa das nove dos domingos com a qual me acostumei, fico em paz. Só a Francana, quando joga às dez, me faz ir à missa das sete, mas, da mesma forma, sinto-me em paz e feliz. Cada um, acredito, tem o seu espaço, tempo ou lugar onde também ache a sua paz, mesmo que momentaneamente. Como fazer para prolongar esta sensação para o resto do dia, é o grande problema. Pode ser que eu fique completamente feliz quando vir meu Timão como campeão do mundo e a Francana na primeira divisão. Enquanto isso não acontece, lanço-me às buscas frenéticas que me dita a vida. Achar e trilhar os caminhos certos e nada baratos do mundo moderno talvez seja o desafio que ainda não compreendemos perfeitamente. Aliás, será que é isso que esta vida pede que façamos para cumprir nossas histórias? Odorico Antônio Silva Advogado

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