Um menino de 15 anos fugiu do Recanto Samaritano na noite de segunda-feira, 18. Segundo os responsáveis pela instituição, ele pulou o muro, que é todo protegido por arame farpado. Não se sabe se recebeu apoio de alguém, mas funcionários presenciaram o momento da fuga. A instituição abriga menores vítimas de maus-tratos que foram retirados dos pais e acabaram não acolhidos por outros familiares. Não é a primeira vez que tal fato ocorre no Recanto Samaritano, que completará um ano em junho.
O menor estava na instituição havia 45 dias. Foi levado pelo Conselho Tutelar por sofrer ameaças da própria mãe. Ela chegou a dizer que colocaria fogo no garoto (leia mais nessa página). No tempo em que permaneceu no Recanto, o adolescente demonstrou descontentamento. Acostumado a sair e voltar para casa de madrugada, não se adaptou à nova rotina - com regras de conduta e comportamento.
Ele dividia o espaço com outros menores e sempre saía acompanhado. Também sentia por estar longe da namorada. “Eles são retirados da família por medida de proteção até que se decida pela possibilidade do retorno para casa, mas o que todo mundo quer é a família. E ele manifestava o mesmo interesse de todos. O desejo de voltar (para casa)”, disse a coordenadora da instituição Geisa Luisa Sousa.
Segundo Geisa, não foi possível evitar o que ela chamou de “saída desautorizada” do adolescente. O fato é que o garoto foi embora do abrigo. A mãe substituta (mãe-social), responsável direta por ele e mais três meninos, não percebeu a fuga. Outros funcionários - no total 40 trabalham no Recanto - presenciaram a saída do menino, mas não teriam feito nada para evitar.
“Ele saiu de maneira desautorizada na noite de segunda-feira. Ele não fugiu porque aqui eles não estão em regime prisional. Aqui é um abrigo. Dentro da instituição houve funcionários que viram ele pular o muro, mas não tem como amarrar o menino no pé da mesa”.
Depois da fuga, os profissionais resolveram procurar pelo garoto na vizinhança, mas não localizaram. Foi registrado um boletim de ocorrência de desaparecimento no dia seguinte. “O Recanto não tem o papel de fazer buscas atrás dos adolescentes que fogem. O papel do Recanto é cuidar enquanto estão aqui. A partir da fuga, a polícia assume”, disse a coordenadora.
Ontem à noite a mãe do garoto disse que localizou o filho na casa de um amigo e que teria recebido a visita dele. Mas, segundo ela, o menor permanecerá escondido e sem ir à escola porque não quer ser localizado e nem voltar para o Recanto Samaritano.
O abrigo de menores encaminhou o caso para o Fórum para que as medidas legais sejam adotadas. O Promotor da Infância e da Juventude, Augusto Arruda Neto, e o diretor da Vara da Infância e Juventude, Douglas Quintanilha, não foram encontrados para comentar o assunto.
<b>INEVITÁVEL</b>
A conselheira tutelar Gláucia Limonti acompanhou o caso do menor. Segundo ela, mãe e filho foram acompanhados durante meses, na tentativa de mantê-los juntos, mas a situação se agravou e, como o menor estava sob risco, foi levado para o Recanto Samaritano. “A mãe dele tem distúrbio mental e o ameaçava. Era comum ela nos ligar de madrugada nos plantões do Conselho para falar que se ele não chegasse da casa da namorada ela iria espancá-lo”.
A gota d’água para retirar o filho do convívio familiar aconteceu quando a mãe foi até a escola da namorada portando uma garrafa de álcool e fósforos e disse que iria atear fogo nele. “Tentamos encaminhá-la para tratamento, mas ela não aderiu às propostas que fizemos”, disse Gláucia. Em 2008, o Conselho Tutelar encaminhou 73 menores para o Recanto Samaritano. Neste ano, até abril, foram 21.
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