Mundo sem escrita


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O computador se consagrou como aparelho indispensável na convivência dos novos tempos. Com a internet você pode comprar, vender, consultar, emprestar, pedir emprestado, pagar, empreender, arquitetar, planejar, receber, requisitar, inscrever-se, prostituir-se e até namorar. Só não dá para beijar na boca - ainda. O computador é um benefício da Era Tecnológica. Comunica-se com o mundo. Com alguns cliques você pode visitar os canais de Veneza, as praias do Havaí, o rancho do compadre e até a Times Square em Nova York. Quem utiliza o computador com a finalidade de estudo e pesquisa fica realmente deslumbrado com a precisão e a agilidade do processo de obtenção de informações. Não há dúvidas, mas as modalidades de uso precisam ser repensadas. É aí que está o paradoxo da questão. Em que ponto o computador passa a ser de solução a vilão? Um dos aspectos mais sombrios do computador é a existência de sites que oferecem serviços de mensagem em tempo real. A maioria dos usuários que se interage nesses serviços de mensagem ao vivo está assassinando a Língua Portuguesa. "Não" vira ñ, "também" vira tb, "porque" vira pq e várias outras variantes que chegam a ser aberrações lexicais. E essas variantes vão mudando conforme os grupos, as turminhas e as “tribos” de usuários. Muitas crianças e adolescentes estão se viciando nessa linguagem tecnológica preguiçosa e trazendo esses equívocos ortográficos para sua interação diária com a Língua Pátria, comprometendo seriamente o processo de comunicação e expressão. Longe de mim querer ressuscitar o vernáculo das oratórias de Rui Barbosa, mas a meninada já não anda morrendo de amores pelas aulas de Português e se as estruturas comunicativas continuarem se destoando nessa velocidade, em breve teremos ainda mais dialetos dentro de nossos próprios lares. Falando nisso, pais e filhos não andam apertando as mesmas teclas já há muito tempo. Pelos chats e MSNs da vida conversam com o mundo inteiro, mas deletaram muito, infelizmente, os diálogos na convivência familiar. O computador virou a mesa individual de jantar. Imagine agora que a indústria já está pronta para fabricar computador sem teclado. É só ir falando que ele vai escrevendo. Não precisaremos saber escrever. Basta saber falar e, cá pra nós, é bem mais fácil do que escrever, afinal ninguém pronuncia “x” ou “ch”. A gente pronuncia um som. Se já estamos preocupados porque nossos jovens estão criando uma outra linguagem, o internetês, agora, com este computador, não sei onde chegaremos. Talvez um dia vamos viver num mundo apenas de sons, sem escritas. Tudo virá pelas palavras, mais ou menos como era no passado. Os homens não precisavam escrever, assinar. Os acordos eram no “fio do bigode”. O futuro será igual. Não porque homens serão honestos, mas porque ninguém saberá como assinar o nome. O mundo real ficará parecido com os fictícios dos romances de José Saramago. Ele criou mundos sem visão e sem mortes. Nós viveremos num mundo sem escrita. Muita gente vai adorar não ter de escrever. Evitarão a vergonha da ignorância. MAIS ESSA Uma nova trapaça para quem gosta de beber e dirigir ao mesmo tempo. Criaram o mito de que o bafômetro pode ser um agente transmissor de gripe suína e, baseado nisso, ninguém mais aceita o exame. E o massacre nas ruas e estradas continua. BANG BANG Promotores vão iniciar um curso de tiro promovido pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento. Estranho esse tipo de inclusão curricular. Daqui a pouco tiro ao alvo entra nos concursos. CIRCULA NA INTERNET “Os políticos brasileiros são os mais católicos do mundo. Nunca assinam nada sem terem um terço na mão.” NEGATIVO Chocante. Absurdamente nojento. Incrível. Com o objetivo de incentivar a leitura a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo distribuiu nas escolas públicas um livro para crianças de 9 anos. A obra tem desenhos grotescos, palavras chulas, palavrões e muito sexo. Esta não é a primeira vez que o setor de educação do governo Serra se equivoca em relação aos livros distribuídos a alunos. Em março deste ano, a pasta de Educação foi duramente criticada por causa de erros em 500 mil livros didáticos distribuídos. Usado por alunos da 6ª série do ensino fundamental, o livro de geografia mostrava o Paraguai duas vezes em um mapa da América do Sul e excluía o Equador. POSITIVO Esta coluna foi entregue antes do resultado final do terceiro jogo entre o time do Vivo/Franca e Brasília, nos playoffs do Novo Basquete Brasil, jogado ontem, quarta-feira. Mas a vitória da última terça-feira, depois de duas prorrogações, por 105 a 96, sobre um dos favoritos ao título, mostrou mais uma vez a raça do nosso basquete e encheu de esperança o torcedor francano, abatido com as más exibições do nosso quinteto e com o nosso futebol, que despencou ladeira abaixo. Essa vontade de vencer e de superar obstáculos do nosso basquete deveria servir de exemplo aos jogadores da Francana, desmotivados, apáticos e sem poder de reação. Quem sabe ainda há tempo! CURTA E GROSSA Jornaleiro grita: - Extra! 50 pessoas enganadas por um vigarista! Um homem compra o jornal, nada encontra e se queixa. E o jornaleiro: “Extra! 51 pessoas enganadas...” Edward de Souza Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br

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