Psicóloga comenta o filme ‘Buenos Aires 100 Km’


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Acontece neste sábado em Franca mais um evento da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto (SBPRP), Cinema e Psicanálise. O filme argentino Buenos Aires 100 Km (2004), do diretor Pablo José Meza, será comentado pela psicóloga e psicanalista Josiane Barbosa Oliveira. O encontro é a partir das 15 horas, na Sede Campestre do Centro Médico de Franca e a inscrição, que custa R$ 5, pode ser feita no local. Desde novembro do ano passado, três filmes já foram incluídos no projeto: O Carteiro e o Poeta, de Michael Radford, Frida, de Julie Taymor e O Piano, de Jane Campion. A subcomissão da SBPRP para a fundação e expansão deste trabalho em Franca é formada pelas profissionais da área: Ana Márcia Vasconcelos de Paula Rodrigues, Ana Regina Morandini Caldeira, Débora Mellem, Fátima Maria Cassis Ribeiro Santos, Maria Luiza Lana Mattos Salomão, Sônia Maria Godoy e Josiane Barbosa Oliveira. Esta última é responsável pela análise e discussão com o público de Buenos Aires 100 Km. É ela também quem assina o texto que se segue. “Os movimentos de cada pessoa em direção a seus sonhos são fascinantes e peculiares. Algumas pessoas utilizam a curiosidade e o encantamento para desvendar áreas improváveis, outras trilham experiências diversas procurando tirar delas um motivo para a vida. Muitas afastam-se da realidade, hostil ou entediante, reivindicando começar de novo ou transformar as regras a cada limite encontrado. Buenos Aires 100 Km é uma película que apresenta um grupo de adolescentes em seus primeiros embates com seus mundos internos. Aborda sonhos e enfrentamentos, bem como as estratégias ou não-estratégias para conviver com cenários íntimos. Esteban tem conflitos entre ser engenheiro ou artista; Damian questiona suas origens e nascimento; Alejo investiga a sexualidade dos pais; Guido convive com pais distantes, ausentes e agressões de rua e Matias acata abusos e maus tratos. Cada um com sua carga encontram-se, conversam intimamente, jogam futebol, dançam e fazem “nada”. Dividem a idéia da existência de um lugar onde tudo possa ser diferente. Aquela idéia recorrente nos humanos de que o bom e mágico estão alhures. O diretor Pablo José Meza, também roterista, apresenta um painel diversificado o suficiente para promover identificações sem cair nos estereótipos. O convite de acatar um ou vários aspectos dos personagens é aceito com humor, ternura e até uma doce nostalgia. Remete o espectador ao tempo dos primeiros contatos com a identidade. Perceber-se alguém é ter uma história, um jeito, valores, capacidades, anseios, habilidades. Perceber-se alguém é também entrar em relação com outras pessoas e outras situações. Buenos Aires 100 Km estimula o olhar ao mesmo tempo para fora e para dentro de si, esse olhar perambula entre as conversas e os silêncios de um pequeno povoado que pode ser em qualquer lugar de nossas vivências. Ao utilizar o artifício de contar várias histórias que se entrecruzam o cineasta aponta para o que há em comum na vida dos jovens: a vida que jorra, busca um contorno e pesquisa um significado.”

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