Nordeste e política


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É engano meu ou o Brasil não tem se mostrado tão solidário com as enchentes nordestinas como fez, ano passado, com as de Santa Catarina? Por que grandes veículos da mídia estão dando mais atenção à Gripe Suína, que até agora tem apenas trinta e poucos casos suspeitos no Brasil e nenhuma morte? Enquanto isso, no Nordeste, 40 morreram em função das enchentes! Cadê a mobilização popular em solidariedade aos quase 900 mil nordestinos vitimados pelo descaso histórico, pela falta de infraestrutura, pela persistente exclusão social e, principalmente, pela sua espúria política que causaria inveja à Cosa Nostra? Cadê a consciência social e engajada dos movimentos populares estabelecendo ligação de causa e efeito, entre as práticas feudais dos políticos nordestinos e essa atual desgraça que abate a região? Infelizmente, as poucas notícias sobre o sofrimento dos nordestinos são tratadas como questão climática. O Sul e o Sudeste, que centralizam parte considerável da mídia nacional e, portanto, da opinião pública, deveriam aproveitar para questionar o que o Juiz Fausto De Sanctis definiu como “cleptodemocracia”. O que vemos há muito tempo no Nordeste brasileiro é a apropriação da política por uma classe que se perpetuou no poder e barganha, de qualquer forma, para garantir a sua continuidade. Infelizmente, o Presidente Lula, por quem tenho profunda admiração e respeito, não conseguiu até agora romper com as amarras “nordestinas” criadas nos acordos políticos necessários à tal da governabilidade. A reforma política não aconteceu e, tudo indica, não há perspectivas a curto prazo. Enquanto isso, nós somos brindados com situações como a de ter o Sr. Sarney como guardião do Planalto e isso coloca o Presidente Lula dependente desses setores atrasados da política nacional. É tanta infâmia que o PSDB parte, agora, para a defesa do Bolsa Família no Nordeste com o único objetivo de aumentar sua popularidade naquela região e cacifar seu candidato Serra à Presidência da República. Ora, onde estão, também, as entidades nacionais, com tradição na resistência política, como a OAB, pautando um debate mais realista sobre, por exemplo, a relação existente entre política, desvio de recursos, corrupção e enchentes? Será que a OAB de hoje (e outras entidades) serve apenas para as vaidades de um D’Urso com seu movimento classista e golpista “Cansei”? Bem, resta ao Presidente Lula ainda algum tempo de governo e faria uma enorme diferença para o País se ele apenas se dedicasse, nesse tempo, à reforma política. O Nordeste continua refém dos políticos nordestinos, na sua maioria atrasados e corruptos e o Brasil está refém desses políticos que assediam o Planalto Central, independente do Presidente de plantão, e perpetuam os contrastes entre o Norte e o Sul brasileiros. Cassiano Pimentel Agente de Exportação e professor universitário

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