A Secretaria Municipal de Administração informou, ontem, que o concurso público aberto pela Prefeitura recebeu 28.078 inscrições para os 91 cargos oferecidos. Do total, apenas 130 médicos se candidataram para ingressar na rede municipal de Saúde. Nenhum profissional se inscreveu para geriatra, nem para psiquiatra infantil. O atendimento aos usuários poderá ficar comprometido caso a demanda de pacientes continue aumentando e a procura pelos cargos permaneça baixa.
Foram abertas inscrições para 18 especialidades médicas. A mais concorrida foi a de clínico geral, com 28 candidatos. Médico do trabalho e emergencialista clínico geral receberam 13 inscrições cada. Apenas um profissional se candidatou para atuar como reumatologista. Por se tratar de um concurso para formação de cadastro reserva, não existe um número de vagas por especialidade.
O salário oferecido é R$ 2,7 mil para uma jornada semanal de trabalho de 20 horas. Caso queira, o médico da rede tem a possibilidade de dobrar o turno de trabalho e, consequentemente, ganhar duas vezes mais. Mesmo assim, trabalhar para o município desperta o interesse de poucos, o que cria um problema para a Prefeitura.
“A baixa procura preocupa qualquer administração pública. Não é um sintoma que se verifica apenas em Franca. Em todo o País, poucos profissionais se inscrevem para participar de concursos. A área da medicina tem esta dificuldade de suprimento de cargo sim. Com isto, a carência vai continuar”, afirmou o secretário municipal de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto.
Um concorrente direto da Prefeitura são os planos de saúde, onde as possibilidades de ganho são maiores em relação à carreira pública. “Nas atividades privada e particular, o ganho, sem dúvida, é muito maior”, disse Jerônimo.
<b>ALTA DEMANDA</b>
A rede pública de saúde realiza uma média de 120 mil procedimentos diversos todos os meses em Franca. No primeiro trimestre de 2009, foram feitos 75 mil atendimentos a mais do que no mesmo período do ano passado. Para atender à demanda, o município conta com 252 médicos concursados. “Hoje, o atual quadro é suficiente, mas daqui a pouco não vai ser mais. Se continuar esta curva de crescimento, não vamos ter condições de atender a todos os usuários. Na medida em que não temos o profissional, o atendimento fica muito prejudicado”, afirmou o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira.
Em relação às duas especialidades que não atraíram candidatos - psiquiatra infantil e geriatria, o secretário disse que a Prefeitura conta com estes profissionais em seus quadros atualmente e que os pacientes não vão ser prejudicados. “O que a gente queria era aumentar a oferta de atendimentos, o que não vamos conseguir de imediato”, concluiu Ferreira.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.