A marcha da maconha


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Apologia de crime é crime. Está tipificado no artigo 287 do Código Penal. Ademais, a Lei 6.368/76, em que pese as alterações por leis posteriores que cuidam do tema, ainda está em vigor e em seu artigo 12, parágrafo 2º, inciso III, diz que é penalizado quem “contribui de qualquer forma para incentivar ou difundir o uso indevido ou o tráfico ilícito de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica”. Entretanto, o ministro do Meio Ambiente participou da “marcha da maconha”, no Rio de Janeiro. Que ele é “verde” todo mundo sabe. Essa turma da maconha é velha conhecida de todo o meio intelectual deste País. Agora, é chocante em meio a tanta violência, desgoverno, falência ampla, irrestrita e geral da segurança pública, famílias perdendo seus filhos para a droga e, consequentemente para o mundo do crime, o desprovido Carlos Minc participar de um ato desses. Uma pessoa pública deve se pautar, no mínimo, ainda que só na frente das lentes, por valores éticos. Drogas são ingeridas todos os dias e a população compra livremente nas farmácias, sem necessidade de receita médica. Nos alimentos, ingerimos veneno liberado pelo governo nos lobbies das empresas fornecedoras de agrotóxicos. Também inalamos substâncias nocivas à nossa saúde diariamente através do contato ininterrupto com os poluentes que são liberados por motores de carros. Tudo isso é sabido. Existem famílias que foram totalmente destruídas pela entrada das drogas na vida dos filhos. A maconha é o portal que se atravessa para iniciar-se em outras drogas mais pesadas e que provocam maior dependência física e psíquica. O problema, no entanto, não é a droga. É o ambiente da droga. Esse ambiente é perverso, é mortal, mil vezes pior que qualquer porão de qualquer ditadura que existe ou já existiu no mundo. É assim que os comunistas lidam com as questões mais problemáticas da sociedade? O articulista Arlindo Montenegro assim se refere ao ato: “O Sr. FHC perdeu uma eleição para Jânio Quadros porque declarou que havia puxado um fuminho e que era ateu. Hoje defende a liberação da canabis nos foros internacionais. Há algum tempo o próprio Ministro da Justiça foi aplaudido por maconheiros do mundo inteiro no Pará. É preciso um ministro marchante sair à rua para dizer o que o governo que tudo pode, quer?’. Que as drogas têm livre trânsito no País todos sabem, mas ninguém se detém a avaliar o preço que a nação brasileira paga por esse descontrole. Nem Polícia Federal, nem Exército, nada pode deter o avanço da droga no Brasil. O crime organizado depende desse filão, para continuar se fortalecendo. O mercado da droga tem uma renda anual maior que qualquer PIB de países em desenvolvimento. Aliás, agora já não se sabe mais onde termina o Estado Democrático de Direito e começa o Estado do domínio das drogas e do crime organizado. Essa foi uma tragédia anunciada há mais de 30 anos e quase ninguém refletiu nos efeitos devastadores dessa realidade. Reitero, é preocupante o que as denominadas autoridades deste País fazem com o poder que detém. Os pais e as crianças são as vítimas desarmadas desse sistema perverso de desinformação e dominação psicológica. Nadir Ap. Cabral Bernardino Advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental

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