Um dos casos mais recentes de encaminhamento de menores para viver em outro local, longe dos pais, feito pelo Conselho Tutelar, ocorreu na Zona Oeste de Franca na última terça-feira, 5. A situação da família era grave. A mãe, de 28 anos, e o pai, de 34, moravam com os filhos numa casa de dois cômodos alugados por R$ 120. Apenas o pai trabalha. É varredor de rua e recebe R$ 465 por mês. A energia e água estão cortadas há três meses. Velas são usadas na iluminação. A água é fornecida por um vizinho ou armazenada da chuva.
Os pais e a caçula dormiam num colchão de casal no quarto. Os dois filhos mais velhos passavam a noite na cozinha. A alimentação era precária. Basicamente arroz e feijão. Sem leite, a mãe chegou a alimentar a filha de 1 ano com água e açúcar.
A reportagem encontrou a casa suja. Sem água para lavá-las, a mãe já deixou de mandar os filhos para a escola em fevereiro. Disse que sentiu vergonha de irem com as vestimentas que já tinham sido usadas. Eles faltaram 25 dias em dois meses.
O caso estava sendo acompanhado pelo Conselho Tutelar e Prefeitura desde março. Vizinhos denunciaram que os pais são dependentes químicos e chegam a trocar os alimentos que ganham por drogas. “Fizemos várias visitas à família, além de entrevistas individuais com os filhos, mas não confirmamos a denúncia”, disse a conselheira tutelar Gláucia Limonti.
Em mais uma visita feita na terça-feira, a conselheira encontrou as crianças na rua. A mãe havia saído de casa e deixado os filhos sozinhos. Os irmãos acabaram levados para o Recanto Samaritano, onde vivem com mães-sociais, têm seis refeições diárias, atividades escolares, esportivas e lúdicas. “Demos chances para a mãe se reorganizar, mas ela não seguiu as orientações. As crianças estavam vivendo sem higiene, foram vítimas de negligência”. A mãe dos meninos não foi localizada para comentar o assunto.
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