Dizem os juristas e está previsto no Código Penal que formação de quadrilha – não para dançar nas festas juninas –, para praticar atos ilícitos é característica qualificadora de crime. Muito bem. E o que estão fazendo os membros do governo no que diz respeito à farra das passagens aéreas e outras coisas mais, o que é? Quem acreditar que haverá punição ou ordem de devolução de valores, com certeza receberá o prêmio de maior bobo da corte do ano. E tem mais: não sei quem denunciou, mas ele que se cuide, senão poderá ser preso, processado e condenado.
A tal da crise que ninguém vê, mas a maioria do povo sente no bolso; a gripe suína ou sei lá o que, somadas ao fato do meu Timão ter sido campeão invicto, além de ter ressuscitado o Ronaldo – que, diga-se de passagem, fez muita gente morder na língua –, vieram na medida exata para lançar cortina de fumaça sobre os desentendimentos entre ministros da mais alta corte de Justiça do País, do aumento desenfreado dos bens de primeira necessidade, da improbidade do caso das passagens e de tantas outras falcatruas que só acontecem nos países emergentes que emergem não sei de onde, só se for da lama da corrupção que os afoga. Deu-lhes tempo para respirar e engendrar novos golpes e escândalos.
É engraçado que em alguns casos, na calada da noite, ou bem de madrugadinha, prendem um monte de cidadãos com ampla cobertura da imprensa televisiva, em operações de nomes extravagantes, onde os peixões logo são liberados por ordem dos ministros brigões, ficando para trás apenas os lambaris, dos quais nunca mais se tem notícias. Os tubarões logo voltam a freqüentar a mídia, senão por envolvimento em outras façanhas criminosas, nas colunas sociais da vida, da mesma forma que as mulheres que logo após um acontecimento mais chamativo, do bem ou do mal, na primeira oportunidade posam nuas para as revistas especializadas. Só falta aquela ministra, após a plástica, sair na revista Playboy, dando entrevista, é claro, e não da forma como vocês, maldosamente pensaram.
Mas como aqui nós temos muitas bananas, bananas para todos eles, até porque levantar o dedo vizinho do indicador para a torcida adversária que o ofende o tempo todo, de todos os possíveis e imaginários palavrões, é crime, e aquilo tudo a que hoje assistimos revoltados, mas calados, não.
Já pensaram se essas pessoas do mal morassem na Itália ou no Irã ou no Afeganistão? Se estivéssemos vivendo na época da República Romana dos Césares e Cíceros, muitas cabeças iriam rolar ou então seriam jogados na arena à mercê dos leões e gladiadores. Eles viveram numa época muito mais próxima de Cristo do que nós, e talvez no juízo final, serão lembrados e convocados para fazer Justiça, já que por estas paragens ela anda com os olhos vendados.
Odorico Antônio Silva
Advogado
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