Cotado para disputar o governo do Estado ou uma vaga no Senado no ano que vem, o presidente da Fiesp falou à reportagem sobre política e crise econômica.
<b>Comércio da Franca</b> - O senhor vai disputar as eleições no ano que vem? Pensa em ingressar na carreira política?
<b>Paulo Skaf</b> - Neste momento não estou pensando, não, mas o futuro a Deus pertence. Nunca tive filiação partidária e não tenho, que é a primeira condição para que alguém possa se candidatar. Há dez anos não imaginava que seria presidente da Fiesp. Existe uma coisa chamada destino e o importante é a gente respeitá-lo. Temos de estar concentrados e dedicados na missão que a gente tem na mão. Hoje, minha missão é presidir a Fiesp, o Sesi e o Senai, que já nos dá muito trabalho.
<b>Comércio</b> - Como avalia a crise econômica mundial?
<b>Skaf</b> - Nós tivemos, de outubro a março, seis meses de dificuldades. Tivemos uma queda do PIB no último trimestre de 3,6%. Vínhamos crescendo no trimestre anterior 1,7%. A variação é de 5,3%, que foi a segunda maior queda do mundo. O PIB dos três primeiros meses deste ano só será anunciado em junho, mas nossa previsão é de que teremos um crescimento negativo. A tendência, a partir de abril, é de uma melhora, mas não podemos afirmar que o pior já passou. O Brasil não vai ser uma ilha de prosperidade em meio a um mundo em crise. O começo do fim da crise mundial vai se dar no momento em que sentirmos que as medidas adotadas nos Estados Unidos começarem a surtir efeitos.
<b>Comércio</b> - Qual a avaliação que o senhor faz sobre as medidas de combate à crise adotadas pelo governo federal?
<b>Skaf</b> - Todas as medidas adotadas foram corretas, mas nós reclamamos da celeridade e em relação à intensidade. Um exemplo são os juros que baixaram muito menos do que deveriam baixar e demoraram muito mais do que deveriam ter demorado para baixar. As reuniões do Copom, que aconteciam a cada 45 dias antes da crise, num momento emergencial como este, o Copom deveria se reunir a cada dias e baixando os juros. A taxa Selic continua a 10,25%, que é elevadíssima com uma inflação de 4%. A crise começou em outubro e demorou para o crédito no mercado aumentar. Se tivéssemos tomado medidas no começo da crise, já teríamos sentido os resultados positivos. Lamentavelmente, as medidas foram tomadas com velocidade e intensidades menores que o Brasil precisava.
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