Luz no fim do túnel


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O “toque de recolher” implantado para menores de 18 anos em cidades do oeste paulista, está levando muitas localidades a estudarem também a adoção da medida. Isso porque os resultados obtidos em Fernandópolis que, desde 2005, controla a presença de menores nas ruas após as 23 horas são animadores. Os atos infracionais (delitos praticados por menores) caíram 91%, segundo levantamento do juizado de menores. A criminalidade geral também reduziu e a sociedade festeja os bons índices. Os bons números de Fernandópolis, de Ilha Solteira e Itapura, que começaram o trabalho no último dia 20, estão repercutindo. Veículos de comunicação, autoridades e entidades de diferentes municípios de médio e grande porte passaram a discutir a conveniência ou não do procedimento. As primeiras pesquisas revelam aprovação superior a 90% por parte da população. Não é de hoje que a problemática do jovem e seu controle tornou-se preocupante. É clássica a frase “educai as crianças para não ter que punir os adultos”. Mas isso é o que menos tem ocorrido nas últimas décadas. Por uma série de razões que vão desde a própria educação recebida até a mudança do perfil econômico e social, que obriga pais e mães de hoje a trabalharem fora, as crianças foram deixadas em segundo plano e à própria sorte. No lugar do pai e mãe presentes e rigorosos, ficaram esses mesmos chefes de família permissivos, desinteressados e despreparados para a grande tarefa de encaminhar os filhos. E a sociedade, na sua luta libertária, também conduziu ao desequilíbrio que hoje leva as autoridades, notadamente o Judiciário, a buscar medidas restritivas para proteger o jovem. Pais e mães de hoje, com raras exceções, dificilmente conseguem exercer o pátrio poder. A modernização social não permite que sejam rigorosos (até tiranos) como um dia foram seus próprios pais e avós, mas não lhes fornece os elementos para dar o justo necessário tratamento e encaminhamento aos filhos. O resultado é o clima de guerra juvenil que hoje enfrenta a sociedade brasileira. A família não está preparada para enfrentar e controlar os arroubos comuns da juventude e, lamentavelmente, o jovem acaba se perdendo. Nesse quadro, só a reação da sociedade organizada poderá proteger e salvá-lo. Para enfrentar essa guerra já deflagrada através da rebeldia, do uso de drogas, da prática de atos infracionais, da vitimização pela pedofilia e do uso de menores por maiores criminosos e até pelo crime organizado, só mesmo um poder maior. As autoridades desses municípios paulistas deram o tiro de partida. O tema desperta o interesse em dezenas de outras comunidades e logo será recorrente. Além do Judiciário, Ministério Público, Polícia e entidades congêneres, os centros decisórios do saber e da sociedade também deveriam se engajar e partir em busca de soluções que visassem proteger e encaminhar a juventude. Essa é uma guerra à procura de paz, que exige o empenho de todos para o seu armistício. O Brasil não pode, pela omissão do Estado e da sociedade, continuar perdendo seus jovens dessa maneira estúpida. Controlá-los é salvar suas próprias vidas e encaminhá-los é cuidar do futuro do País. Não podemos ficar apenas no esforço repressivo. Precisamos de algo mais e... urgente. Dirceu Cardoso Gonçalves Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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