Passado um mês da retirada definitiva de mesas e cadeiras das calçadas, o cenário em bares e restaurantes de Franca se transformou. Estabelecimentos que antes ficavam lotados, contam agora apenas com a área interna para atender os clientes. Em muitos casos, o espaço é pequeno. Os comerciantes se queixam de prejuízos e dizem que a proibição resultou em queda de até 70% no movimento e no fechamento de postos de trabalho. Os proprietários dos estabelecimentos têm buscado alternativas para não fechar as portas.
A Pitcinha, no Centro, registrou queda nas vendas de 30 a 40% desde a retirada das mesas e cadeiras da calçada, ocorrida em 1º de abril. Com isso, foi necessário o corte de três funcionários. “A calçada é um lugar mais gostoso para ficar e para curtir a movimentação na rua. Muitos clientes nossos que vinham toda semana e sentavam do lado de fora não retornaram mais. A situação é preocupante”, disse o gerente da casa Anderson Silva.
O Bar da Careta, na Avenida Major Nicácio, também reduziu o número de profissionais. Cinco pessoas foram dispensadas. Em um mês, desde que vigora a proibição do uso das calçadas, as vendas caíram 70%. O proprietário, Paulo César Borges, queixa-se da limitação do espaço para atender os clientes. “Nossa rotina mudou radicalmente. Antes a gente atendia em média cem pessoas (simultaneamente) e agora nossa capacidade está limitada a 30, 40 dentro do bar”.
<b>Ouça aqui o proprietário do "Bar da Careta", Paulo Cesar Borges:</b>
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A expectativa é reverter a situação com a ampliação do estabelecimento, mas isso acontecerá apenas daqui a três meses. “Alugamos o prédio anexo ao nosso e vamos reformá-lo. Farei um financiamento para pagar as obras. Depois de pronto, pretendo recontratar alguns funcionários”, disse Paulo.
No Moinho’s Bar & Restaurante não houve demissões, mas quatro funcionários estão de férias. A demanda pelos serviços, desde o início do mês passado, está 40% menor. “O happy hour morreu. As torres de chope também. Antes a casa ficava cheia”, disse Osmar Angonese, dono do estabelecimento, que vendia 20 torres de chope por noite e hoje não passa de seis.
O proprietário ainda não encontrou uma alternativa para driblar os prejuízos. “O aluguel aqui é caro. Já pago R$ 3 mil pela locação. Fica difícil eu mudar de endereço porque investi em reforma aqui no prédio e, para mudar, não encontro um espaço já pronto. Terei de gastar mais”, disse Osmar.
<b>LEI</b>
A exigência do Ministério Público para a retirada de mesas e cadeiras das calçadas em Franca, acatada pela Prefeitura, é de outubro de 2008. Alguns bares e restaurantes assinaram um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) e pagaram para continuar usando as calçadas até 1º de abril. Desde esta data, todos estão proibidos de utilizar o espaço público.
O chefe do setor de Fiscalização da Prefeitura, Ismael Xavier, disse que, por ora, ninguém está autorizado a usar as calçadas. “A lei prevê o uso mediante da Prefeitura e preenchimento dos requisitos, mas não vamos autorizar porque a lei precisa ser regulamentada.
As calçadas em Franca não permitem manter dois metros para pedestres. Alguma solução no futuro pode acontecer. Atualmente não é permitido e o que for flagrado será multado”. Os comerciantes que desrespeitarem a lei pagarão multa entre R$ 200 e R$ 1,8 mil. As cadeiras e mesas não serão mais apreendidas pela Prefeitura como aconteceu meses atrás.
O promotor de Justiça Fernando de Andrade Martins disse que não dará trégua aos comerciantes (leia e ouça o áudio no apoio).
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