Inspirado na erudição ensinada pelo professor Everton de Paula em nossas páginas na semana que passou, ocorreu-me o título desta matéria, bem suave para a corja aboletada no poder, entre outras coisas, pela inobservância de um eleitorado, no mínimo, dócil e cabresteado, dependente do mísero óbolo que se lhe dão com a égide do engodo e astúcia de espertalhões contumazes.
Os discursos enganosos ao sabor da gente humilde, a força do poder econômico fortalecido pelos escandalosos doadores de campanhas, ação vergonhosa oficializada na república, perpetuam a farra de abusos impunes degradantes da honra brasileira.
Não se deve criticar somente a subalternos quando exemplos de sobra partem de caciques coroados em qualquer dos poderes instituídos. De um importante líder empresarial em rede de organismos, aprendi muito cedo que uma das células de mau resultado no grupo, – dizia ele – “a culpa é sempre do gerente”.
Ademar de Barros alardeava que o Brasil precisava de gerente. Uma pergunta se aflora na inteligência do País: quem são os atuais gerentes do nosso tupiniquismo; na república, do STF – Supremo Tribunal Federal, nas casas do Congresso Nacional?
São eles responsáveis por acertos e bandalheiras, essas, com incidência bem maior e frequente na vida nacional. Para Michel Temer, presidente da Câmara, o passado passou nada havendo para corrigir ou apenar entre seus pares. Em nome da fidelidade companheira entre eles, Temer justifica: “em primeiro lugar, nunca houve farra. Existia um sistema normativo anterior, e agora vamos minimizar o noticiário”.
Outros deputados alegam ter chegado à casa e já encontrado o processo em andamento – Ubiali, por exemplo. Comprovem leitores, a repulsa manifestada nos últimos dias na coluna Cartas do Leitor deste Comércio. Para ACM Neto com encargos na Comissão de Ética do Senado, tudo permanece redondinho e bonito e sem reparos a fazer. Entristecido, assisto com vergonha Lula defender a farra, confessando já ter participado dela no passado. O falastrão presidente pontualiza a orgia como “hipocrisia” e aponta a imprensa como desproporcional na matéria.
Do patamar de cima, o palanque de 2010 em Manaus, nosso líder explora um tema de fé para conclamar botando em comoção o povo sofrido desta terra das palmeiras, onde canta o sabiá. Faz de doença grave – existente ou imaginada – que assusta ao mundo, mote eficaz para sua sucessão, sugerindo ao povo e mirando sua candidata: “Esse povo não perde a esperança nunca. Se você não rezava toda noite, agora trate de começar a rezar. Porque esse povo vai precisar muito de você daqui para frente e você vai ter de fazer muita coisa por esse povo.”
Na alcateia governativa da nação, um grito se faz ouvir desesperado, acusando a imprensa investigativa do País pela negra nódoa que tristemente cobre os agentes políticos. Dizem eles em auto defesa, com ausência de veracidade: a mídia pretende fechar o Congresso. Pessoalmente, eu defenderia um freio de arrumação. Quem sabe, um tempo de férias compulsórias, não por ordem judicial, tampouco por idade avançada, mas, sim, pelo poder maior da democracia e justiça do povo: o voto.
Garcia Netto
Jornalista
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