Novo acesso à universidade


| Tempo de leitura: 3 min
Apesar de o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) estabelecer uma avaliação desproporcional entre as escolas participantes, sua importância se firma cada vez mais para o aluno. Com a recente proposta de se aproveitar o resultado para ingresso parcial na universidade pública já a partir de 2010, quem está terminando o ensino médio passa a ter valorização maior ainda. Resta agora implantar um mecanismo capaz de distinguir o aluno da escola pública, daquele oriundo da rede particular. A diferença educacional entre ambos é latente. Seguir a classificação geral continuará deixando o estudante de baixa renda em desvantagem para ingressar no ensino superior público. A escola particular descobriu o filão de marketing que representa o resultado do Enem. Participa em massa. O aluno da rede pública não consegue concorrer de igual para igual. O ensino privado ocorre durante o dia. A quantidade de alunos em sala de aula dificilmente chega a 30. O estudante só se dedica aos estudos. Conta ainda com retorno à escola para tirar dúvidas e outras regalias. A maioria das escolas públicas tem aulas no período noturno mas, mesmo aluno do diurno, às vezes trabalha. Além de cansado, o estudante não tem tempo para lição extra. A sala de aula chega a ter quase 50 alunos. No entanto, a diferença de pontuação entre a rede pública e particular não é tão grande. Basta comparar o resultado do último Enem. Em Franca, das quatro melhores escolas da rede estadual, as três primeiras (“Laura de Melo”, “Mário D’Elia” e “Capitão José Pinheiro Lacerda”) têm aulas somente durante o dia. Em quarto lugar está a Escola Estadual “Profª Ana Maria Junqueira”. A diferença é de apenas um ponto na média das notas. Mas essa unidade funciona também à noite. Numa comparação entre as instituições de curso noturno e diurno, sua posição é de primeiro lugar. A desproporção torna-se maior ainda para o aluno da rede municipal de ensino. EJA (Educação de Jovens e Adultos) só funciona no período noturno. Além da idade heterogênea, cada estudante traz uma defasagem diferente em sua aprendizagem. Por outro lado, a duração do curso é de apenas um ano e meio. Com toda essa desvantagem, a Escola Municipal Profª “Nair Martins Rocha” conseguiu pontuação próxima à das melhores unidades estaduais. Separando os rankings, fica em primeiro em relação às demais municipais. Mesmo com as desigualdades de modalidades escolares, o Enem apresenta-se como fator democrático na avaliação da aprendizagem. Depois da criação do Prouni (Programa Universidade para Todos), sua importância cresceu. Para se candidatar a uma bolsa em universidade particular, o estudante precisa ser da rede pública. O desconto na mensalidade é proporcional à nota obtida no Enem. O benefício se destina a alunos com renda mensal de até um salário mínimo e meio (R$ 697,50) por pessoa da família. Recentemente, detectou-se que mais de mil bolsistas integrais possuem carros novos e de luxo. Não obstante as possibilidades de fraudes que precisam ser eliminadas, a proposta de se colocar o Enem como novo paradigma de acesso à universidade pública poderá democratizar o ingresso no ensino superior público. Antônio Araújo Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários