São José e o trabalho


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Existem duas comemorações em honra de São José, na liturgia católica: a solenidade celebrada em 19 de março e a santificação do Dia do Trabalho, feriado quase universal. A primeira se dá no tempo quaresmal, que se interrompe de certo modo para dar lugar à celebração da festa de São José, esposo de Maria. Esta festa fixou-se na data, durante o século XV. Em 1621 estendeu-se à igreja universal como dia de preceito, dia santo de guarda. Em 1847, o Papa Pio IX nomeou São José Padroeiro da Igreja Universal. A paternidade de São José não se refere somente a Jesus, junto de quem fez às vezes de pai, mas à própria Igreja, que continua na terra a missão salvadora de Jesus Cristo. Assim o reconheceu o Papa João XXIII incluindo o seu nome no Cânon Romano - Oração Eucarística - para que todos os cristãos, no momento em que Cristo se faz presente no Altar, venerem a memória daquele que gozou da presença física do Senhor na terra. Conhecemos pouco sobre a vida de São José; unicamente as referências dos evangelhos. Este pouco, no entanto, é suficiente para destacar seu papel na história da salvação. Seu culto generalizou-se tardiamente na igreja. Assim, sua figura quase desaparece nos primeiros séculos do cristianismo para que se firmasse melhor a origem divina de Jesus. Na Idade Média, São Bernardo, Santo Alberto Magno e São Tomaz de Aquino lhe dedicaram cheios de devoção e entusiasmo trabalhos relevantes. Santa Tereza D’Ávila chegou a dizer que nunca São José deixou de intercedê-la, em seus pedidos. O culto a São José nunca deixou de crescer, dando origem a numerosas ordens religiosas. O 1º de Maio, desde meados do século XIX, foi consagrado como o Dia do Trabalho por circunstâncias dramáticas acontecidas contra centenas de operários exatamente nesta data. Embora a festa, mais tarde, fosse aceita universalmente e perdesse muito de seu caráter ideológico, continua como festividade a-lheia, não hostil ao espírito cristão. Em 1955, o Papa Pio XII decidiu cristianizá-la e, para isso, instituiu a festa de São José Operário, com grande repercussão no mundo operário cristão com procissões em honra de São José e até passeatas pacíficas de trabalhadores. Uma destas ocasiões, com 200 mil operários reunidos na praça de São Pedro, em Roma, mereceu, de Pio XII: “Aqui, neste primeiro de maio que o mundo do trabalho tomou como dia de festa própria, queremos afirmar de novo e solenemente nosso dever e compromisso de vigários de Cristo, com a intenção de que todos reconheçam a dignidade do trabalho e que ele inspire a vida e as leis fundadas sobre a equitativa repartição de direitos e deveres! Tomado neste sentido pelos operários, o primeiro de maio, recebeu assim, de certo modo, sua consagração cristã, em vez de ser fermento de discórdias, de ódios e de violência, caminho possível para a paz social. São José goza na Igreja Católica de veneração especial, logo após a que se dedica à sua esposa Maria Santíssima. O povo católico, o tem como padroeiro da boa morte, isto é, a morte na paz com Deus e os irmãos na humanidade e na fé. Além da inclusão de seu nome na (Oração Eucarística 1) goza de múltiplos títulos de padroeiro tornando evidente sua relevância eclesial, pois brotam de sua condição de “homem sinal”, e expressam sua vocação de serviço à missão que lhe foi confiada. Assim, além de patrono da Igreja Universal Católica, foi tomado como padroeiro dos seminários onde se preparam os vocacionados ao sacerdócio para o serviço do povo de Deus. Frei José Pinto Ribeiro Ordem dos Agostinianos Recoletos

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