Jovem convive com terror do pós-assalto


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CORAGEM E MEDO - A estudante ICO, de 19 anos, viu ladrões no quintal de sua residência e acionou a PM, que prendeu os marginais; agora, não se sente mais segura
CORAGEM E MEDO - A estudante ICO, de 19 anos, viu ladrões no quintal de sua residência e acionou a PM, que prendeu os marginais; agora, não se sente mais segura
No último dia 22, a comerciante ICO, 19, e o pai, o também comerciante JFO, 49, moradores no Jardim Redentor, viveram momentos de horror nas mãos de dois assaltantes. O roubo foi frustrado por policiais militares graças à jovem. Mesmo com o pai rendido pela dupla de bandidos, ela manteve a calma e antes de também ser dominada ligou para o telefone 190 avisando sobre o crime. "Não esperava ficar tão calma", disse ICO sobre o momento em que falava com os atendentes do Copom (Centro de Operação da Polícia Militar). Mas, passado aquele momento de frieza e coragem, a vida da jovem se transformou e o medo passou a dominá-la. "Eu não consigo mais entrar na minha casa e me sentir segura lá dentro". A comerciante, que possui uma loja de presentes na Vila Santa Terezinha, mora desde os 14 anos com o pai, proprietário de um supermercado no mesmo bairro. Evangélica, a jovem se prepara para o vestibular do curso de gastronomia da Unifran e namora há quatro meses. Na noite do dia 21 ela participou de um culto religioso e foi para casa sozinha, enquanto o pai promovia um evento musical em uma casa de shows do Jardim Redentor. Horas depois, por volta das 3 horas da madrugada do dia 22, ao chegar, o comerciante viu uma luz da residência - em um cômodo onde não havia ninguém - acesa, estranhou e ligou para a filha, perguntando se estava tudo bem. "Eu disse que sim e ele então pediu que eu ficasse esperta", disse a adolescente, que em seguida foi para a janela de um dos quartos da casa. De lá, a jovem acompanhou o momento em que o pai entrou, ouviu os gritos dos bandidos e do próprio pai, pedindo calma. O alarme foi desligado e o comerciante obrigado a entrar na residência sob a mira de uma arma de fogo. ICO disse que enquanto pai era amarrado pelos assaltantes, ela decidiu fazer o correto: ligou para a PM. Foram segundos de sofrimento. "Da primeira vez chamou e não atendeu. Na segunda ligação fiquei uns dez minutos conversando com um policial através do celular, enquanto meu pai estava na sala com os bandidos". Ela disse que nunca havia passado por tal situação, diferentemente do pai, que já estivera sob a mira de arma de fogo em pelo menos outras quatro ocasiões. De dentro do quarto, ICO ouviu um dos bandidos subir as escadas e tentou se esconder no guarda-roupas, mas foi descoberta. Com a arma apontada para a cabeça, foi obrigada a descer até a sala e se ajoelhar ao lado do pai, que estava amarrado. "Se ele (assaltante) não fosse me pegar, eu ia descer, porque queria ver meu pai", afirmou a jovem. Os assaltantes queriam saber onde estava o cofre e pressionavam. Gritaram, fizeram ameaças, mas acabaram se convencendo que o único dinheiro que as vítimas possuíam estava no carro. Nesse momento os marginais anunciaram que deixariam a casa, não sem antes fazer uma ameaça que fez ICO imaginar que seria morta. "Na hora que eles falaram que se a polícia estivesse lá fora iriam nos matar fiquei com muito medo", disse. Mais uma vez, agiu com frieza e, sabendo da presença policial nas imediações, chegou a sugerir que a dupla fugisse pelos fundos. Os ladrões foram apanhados pouco depois. O pedreiro LFR, 41, do bairro City Petrópolis, e o pespontador AJO, 35, da Vila Santa Terezinha, mesmo que seguissem a orientação da jovem comerciante não teriam como escapar do flagrante. A PM já havia cercado a casa por todos os lados. Os dois foram presos com R$ 2.400 em dinheiro, a arma do crime, fita adesiva e capuzes no momento em que tentavam fugir. O MEDO A jovem relatou que faria tudo igual se estivesse diante de uma outra situação idêntica, mas que prefere nem pensar no assunto. Depois do que ocorreu, ela passou a ser dominada pelo medo. "Eu não consigo mais entrar na minha casa e me sentir segura lá dentro. Eu não consigo nem entrar sozinha. Tem que ter alguém comigo porque senão eu não entro". Mesmo acompanhada, a jovem não apaga as luzes, não desliga a televisão nem para dormir e, em que pese o seu ato de coragem, a ação dos marginais mudou sua rotina. "A qualquer momento parece que vai chegar alguém e vai me pegar", afirmou.

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