Tiradentes é para ser vista a dois, caminhando


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Riqueza histórica - Vista de ladeira a partir da Igreja Matriz de Santo Antônio, em Tiradentes: cidade de apenas 6 mil habitantes atrai turistas de todo o mundo
Riqueza histórica - Vista de ladeira a partir da Igreja Matriz de Santo Antônio, em Tiradentes: cidade de apenas 6 mil habitantes atrai turistas de todo o mundo
A preparação que antecede uma viagem é sempre recomendada, mas no caso das cidades históricas de Minas Gerais, qualquer informação que se possa ter será sempre um pequeno detalhe diante da rica teia de opções de turismo que cada localidade oferece. Você até pode cair na tentação de estabelecer um roteiro pré-programado, mas nunca se esqueça que lugares como Tiradentes devem ser descobertos a pé, a dois, mãos dadas, de olho em cada esquina. Se for para se sentir tentado, que seja para caminhar em suas vielas, aproveitar os vários festivais que são realizados por lá. De todas as cidades históricas de Minas Gerais, Tiradentes, a 200 quilômetros de Belo Horizonte, talvez tenha sido a que melhor preservou sua identidade setecentista. Beirando 6 mil habitantes, a pequena população pode explicar essa preservação. Das antigas denominações de Arraial Velho de Santo Antônio e Vila de São José do Rio das Mortes, passou a se chamar São José Del Rey, em homenagem do príncipe Dom José I, e fica mesmo a poucos quilômetros de sua quase homônima e não menos famosa São João Del Rey, esta em homenagem ao rei Dom João, e da qual foi desmembrada em 1718. Mesmo antes disso, por volta de 1702, Tiradentes já via iniciar a corrida por suas jazidas de ouro, com a descoberta dos primeiros veios. Somente em 1889, com a proclamação da República, é que o atual nome da cidade foi adotado. Em tempos de busca por mártires, nada melhor que o alferes José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, para lhe emprestar o apelido. Contraditoriamente, após ter sido morto em 21 de abril de 1792 e seu corpo esquartejado, o maior nome do movimento inconfidente foi tendo suas partes espalhadas a partir do Rio de Janeiro, ficando pelo caminho em Cebolas (RJ) e pelas cidades mineiras de Conselheiro Lafaiete, Barbacena, Ouro Branco e Ouro Preto, onde sua cabeça foi colocada em praça pública. Em Tiradentes, o que havia de lembrança do alferes, sua casa, foi queimada a mando da rainha Maria I. Como não é possível dissociar a parte histórica de outra, mais moderna, é só pela primeira que a segunda acontece. Atraídos pelo charme de Tiradentes, visitantes do mundo inteiro passam por lá o ano todo. E como nem só de passado vive a cidade, a Mostra de Cinema, em janeiro, e o Festival de Cultura e Gastronomia, em agosto, trazem nomes renomados desse tipo de arte, fazendo com que restaurantes e pousadas fiquem lotados. Ao conseguir equilibrar o necessário desenvolvimento com a conservação de um sítio tombado pelo patrimônio histórico nacional, Tiradentes conseguiu tornar-se um dos centros de arte barroca mais bem preservados do País, tendo importância reconhecida internacionalmente a partir de meados do século 20. [FOTO2] Mas ainda hoje, por falta de uma política urbana mais consistente e falhas no plano diretor do município, é possível encontrar ao lado de construções seculares, com suas casas, igrejas, fachadas e detalhes preservados, edificações sendo feitas de maneira irregular ou de forma a descaracterizar o legado deixado pela história. “O que já foi construído nunca mais será desfeito. A nossa esperança está na conscientização pela educação. Por isso apostamos na propagação da necessidade de preservação pelas próprias pessoas nascidas e as que vivem aqui em Tiradentes”, disse Janaína Magalhães, assessora da Secretaria de Turismo do Estado.

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